Olá aspirantes à Londoners! Eu nem ia postar hoje porque estou doente :3 e também porque estou apertado esse fim de mês com meu projeto, mas como hoje é sexta-feira 13 eu não ia deixar de escrever sobre o Vaticano! Tudo bem que na sequência deveria vir Roma, mas eu não vi problemas em puxar esse post antes do próximo. :)
"Muitas histórias modernas afirmam que, quando o rei Filipe IV tinha prendido muitos Templários simultaneamente em 13 de outubro de 1307, iniciou-se a lenda do dia azarado da sexta-feira 13."
Vamos preparar o clima ao som de Engenheiros do Havaí - O Papa é Pop.
O Vaticano ou Cidade do Vaticano, oficialmente Estado da Cidade do Vaticano (italiano: Stato della Città del Vaticano; em latim: Status Civitatis Vaticanæ),é a sede da Igreja Católica e uma cidade-Estadosoberana sem costa marítima cujo território consiste de um enclave (É um território com distinções culturais e sociais cujas fronteiras geográficas ficam inteiramente dentro dos limites de um outro território estrangeiro) murado dentro da cidade de Roma, capital da Itália. Com aproximadamente 44 hectares (0,44 km²) e com uma população de pouco mais de 800 habitantes, é o menor país do mundo, tanto por população quanto por área.
Eu tinha duas missões no Vaticano. Uma era conhecer o Museu do Vaticano, e a segunda, ver o Papa na Praça de São Pedro. Pra chegar no Vaticano é só pegar uma de duas linhas de metrô que tem em Roma. Mesmo que você não faça ideia do caminho é só ir no fluxo do povão, porque todo mundo está indo pro mesmo lugar que você! Pra entrar no museu tem duas filas, uma de quem vai comprar o ingresso e outra de quem já comprou o ingresso pela internet. Graças a minha querida amiga Lenita que me avisou dessa fila, eu comprei o ticket antes e praticamente entrei direto. É muito mais vantajoso. Compre antecipado aqui.
O museu é enorme, um labirinto. O fim do labirinto seria a Capela Sistina que tem em toda placa, e a sensação que eu tinha era que eu estava numa competição pra ver quem achava a Capela, porque toda bendita placa dizia que estava chegando e nada, nada. Eu até tive a oportunidade de pegar um atalho, mas já que eu eu tinha pago pra entrar no danado no museu eu ia olhar tudo nem que eu morresse lá no meio de fome e sede (não esqueçam que eu ainda estava doente da garganta).
O que eu me interessei e realmente parei pra ver e ler com todos os detalhes foi a seção egípcia. Com todo respeito à minha querida Rainha Elizabeth II que eu amo de paixão, antes mesmo de sequer saber as maravilhas que Londres guardava, meu sonho sempre foi ir ao Egito! Enquanto todas as criancinhas queriam ir pra Disney, eu queria ir conhecer as pirâmides, descobrir armadilhas, entender cada minúsculo símbolo dos hieróglifos, estudar as múmias, enfim. Como infelizmente não vou poder ir ao Egito pelas questões políticas que cercam o país no momento, minha única alternativa foi me contentar com o acervo egípcio que o Papa tem.
É tanta coisa interessante que eu tirei uma vida em fotos, mas vou colocar só algumas aqui pra vocês verem.
Nada de estranho nessa foto?
Sim, estou contribuindo para as teorias conspiratórias!
O que eu morri de tentar achar e não consegui foi essa parte de fora da foto abaixo. Como é muito confuso os caminhos, e não sabia o nome do lado de fora, nem achei. Mas tirei foto da janela :)
Como o Vaticano é uma cidade-estado soberana, lá também tem Correio, então pra entrar na minha coleção de cartões-postais do mundo, mandei um lá pra mainha <3 Tive que comprar o cartão postal na lojinha (absurda), escrever e mandar, porque não tinha esse negócio de depois, ou era ali, ou nunca mais. O Papa cobra uma fortuna por um selinho com a carinha dele dar uma passeio de avião até o Brasil. Se você tem a mesma intenção de mandar um cartão postal prepare-se para pagar caro.
Pra quem chegou cedinho e passou uma manhã inteira no jejum em homenagem ao Papa só que não, a fome já não me deixava ficar em pé. Tava sentando em qualquer banco que aparecia. Até que aparece um restaurante abençoado e eu fui checar se a inflação no Vaticano estava alta, só por desencargo de consciência. E não é que a Pizza do Papa estava em promoção? E olhe que essa pizza estava boa, principalmente para alguém como eu que detesta a pizza inglesa :S Estava com abstinência de pizza boa, e sem pagar nada a mais, já vinha protegida em território sagrado.
Minha aventura no Museu do Vaticano estava concluída. Primeiro objetivo cumprido! Próximo passo, benção do Papa na Praça de São Pedro. Eu tive que esperar até domingo de 12:00 pra ver o Papa. Foi complicado, primeiro porque o trem pra Florença era de 13 horas e alguns minutos, então fui pra praça de São Pedro com mala, com tudo. Parecia que eu tinha feito peregrinação até lá só pra ver o Papa, então fiquei com status muito bom! Cheguei mais cedo porque sabia que ia lotar e também porque queria garantir uns terços a serem abençoados, um em especial para minha querida Vó. Achei uns preços bem bacanas nas ruas próximas ao Vaticano.
Jogo: Ache o Papa!
Com terços em mãos, fui esperar os ponteiros se encontrarem no ponto mais alto do relógio. Eu nasci num berço católico, sou batizado. Hoje já não pratico a religião e me considero agnóstico, mas não tenho como negar a sensação engraçada de estar na Praça de São Pedro. Quem é católico fervoroso deve pirar muito, e quem não é aproveita do mesmo jeito. Nada como ver aquela multidão aplaudindo e acenando para uma figurinha minúscula numa janelinha, quem só podemos ter certeza que é o papa porque o telão nos prova. Aliás, esse telão parecia de jogo de futebol, era só focar num grupo que começava a gritaria, fiquei só esperando o grito de gol.
Não seria surpresa encontrar brasileiros lá né?
Agora vem a parte que me deu arrepios dos pés a cabeça. O sermão do Papa dura 15 minutos, e é como se fosse aquela parte da missa que o padre lê um trecho da bíblia e começa a refletir sobre ele. Quem leu o post Ai se eu te pego, Warsaw!viu que eu deixei um recadinho pra lembrar de um trecho que eu comentei. Pois bem, o sermão do Papa se baseava nesse trecho descrito por São Mateus:
"Where your treasure is, there will your heart be also."
"Onde está o teu tesouro, aí estará o seu coração também."
Apesar do sermão ter sido completamente em italiano, essa língua é bem próxima do português por causa do latim, então é possível entender mais ou menos o que é falado, e eu juro que quando ouvi ele falando essa citação, eu fiquei em choque. Sei lá se foi coincidência ou não, a questão é que foi interessantíssimo. Fiquei bem feliz de ter ido lá, mesmo na correria, no medo de perder o trem, mas a verdade é que faz bem. Esse Papa vem se mostrando como alguém que realmente quer fazer a diferença, e ao mesmo tempo que a religião as vezes aliena, também proporciona grandes papéis bons nas vidas das pessoas.
Só mais uma coisa, se houvesse a possibilidade de trocar um órgão do corpo por uma rápida olhada nos arquivos secretos do vaticano eu trocava! Uma característica que me move é a curiosidade, não aquela se saber da vida do povo, mas de conhecimento. Imagina o poder que um livro escondidinho ali no Vaticano deve ter? Enfim, queria só compartilhar esse fato com vocês.
A primeira providência que eu tive ao chegar em Coventry foi reassistir Anjos e Demônios! Tudo fica duas vezes mais legal quando você passou em vários pontos que o filme conecta. :)))))))
Um post bem light pra variar sobre esse país tão atípico porém não menos incrível desse mundo sensacional que a gente vive. Espero que vocês tenham gostado. Daqui a uns dias aparece o post de Roma. Até mais pra vocês e melhoras pra mim. Abraço.
Desde de que eu cheguei da viagem, só tem havido posts do mochilão, então pra eu atualizar meu blog, e meu futuro arquivo de memórias, decidi dar uma parada rapidinha no rumo de posts da viagem, e escrever sobre o cotidiano nem tão sempre chato.
Cheguei dia 15 de agosto, e já na segunda dia 19 acabava meu break do projeto, então de volta ao trabalho. Como eu acho que eu nunca falei sobre o que é meu projeto vou dar uma rápida explicação. O orientador que eu peguei me deu um tema que era "Detecção Humana usando um Sensor Termal". Até aí, okay. A surpresa veio quando eu descobri que era só isso, não tinha uma manual, não tinha um livro pra ler, era só a ideia, ele queria pronto, não importando como eu fizesse, aliás, ele disse que eu que ia ensinar ele a fazer. '-' Fora o desespero inicial, afinal eu ainda estava no meio do meu curso no Brasil e não tenho experiência com sensores nem com nada muito prático, eu acabei questionando mais o professor e sempre ficava pior.
Ele falou que não importava o jeito que eu fosse fazer, não precisava nem usar sensor termal, era só fazer. Ou seja, ficou ainda mais abrangente. Então depois de pesquisar como fazer isso, surgiu o que estou trabalhando hoje. A detecção humana serve pra monitorar um ambiente, por exemplo, uma sala. Digamos que você tá lá na sala assistindo TV e de repente sobe pro seu quarto e esquece tudo lá ligado. A proposta do projeto é que uma vez que os sensores que estão na sala 'vejam' que não tem mais ninguém lá, desliguem tudo com o propósito de economizar energia, e claro, dinheiro. Assim que você entrar no ambiente apagado, tudo seria ligado também. Foi essa sensação futurista de sensores que trabalham para um bem-estar e principalmente um foco ecológico que me ligaram a esse projeto.
Atualmente estou trabalhando com Zigbee's e Matlab pra deixar tudo certo e encaminhado. Tenho até o fim do mês pra terminar o projeto e estou torcendo pra conseguir algo bem legal, pra se der sorte, conseguir publicar um trabalho ou algo do tipo. o/ Torçam por mim.
Isso é o que venho fazendo durante a semana, em horários comerciais, mas já no tempo livre que sobra, no tédio que assola, e no frio que incomoda, o que sobra é cozinhar e comer. :3
Pra começar pelo mais raro e mais gostoso: Cuscuz! Eu encomendei cuscuz pra uns amigos que estavam vindo pro UK, e pra namoradas de amigos também, ou seja, qualquer humano da face da terra que venha pra cá, eu peço pra trazer cuscuz. Aliás, porque vocês leitores que estão vindo em setembro não trazem cuscuz pra mim? Eu acho bem justo!
Não era só cuscuz, era cuscuz com feijão, arroz e carne. Feijão de feijoada! Enfim, minha vida é mais feliz com a possibilidade de fazer cuscuz!
Melhor aquisição culinária da vida: Cuscuz!
Minha cara amiga Lenita fez pizza, assim desde a massa até a cobertura. Eu tenho uma zica com as pizzas daqui porque elas são muito estranhas, então foi bom finalmente comer pizza gostosa e caseira.
Pizza das boas!
Como tudo que eu tenho vontade de comer eu mesmo preparo, sendo fácil ou difícil, possível ou impossível, eu quis fazer pastel e fiz! Mais uma vez em parceria com Lenita que providenciou as coxinhas, fomos felizes mais uma vez! Só faltou o brigadeiro pra virar festa de criança!
Esqueci de dizer que é pastel de DIAMANTE NEGRO?
Coxinha!
Como bom paraibano que sou, outra coisa que eu tinha na cabeça de fazer era Tapioca! Os mercadinhos chineses daqui vendem tapioca starch, e é quase perfeito. Fiz essa aqui embaixo que não ficou bonita mas ficou gostosa, e a melhor foi a de Nutella, que não apareceu em foto porque sumiu antes do botar ser apertado!
Ta-ta-tapioca ta-ta-tapioca!
Pra nivelar o índice de gordisse, eu tô na academia. Eu nunca tenho muito resultado não, mas entrei pra engordar. Então será possível que comer de tudo + fazer academia não me engorde pelo menos uns 5 quilos.
Aqui em Coventry esses dias teve uma feira das nações, e adivinha quem tava lá marcando presença?
É sério que colocam uma barraca do Brasil de café? Quem sente falta de café onde tem uma starbucks em cada esquina? Cadê cuscuz nessa vida, feijoada, pastel, carne de sol, queijo de coalho, queijo de manteiga? Absurdo.
Enfim, tinha um bucadinho de nacionalidade e uma singela representação de cada uma. Nem fui na barraca do Brasil de tanto desgosto, mas aposto que nem eram brasileiros que estavam tomando de conta!
Pois é, essa tem sido minha vida nas últimas semanas: estudar, comer, dormir e escrever no blog! Claro que minha cabeça está a mil pra planejar as próximas viagens! Não consigo mais ver o tempo passar, ele simplesmente corre e cada dia eu fico mais desesperado. É muito lugar pra querer conhecer em tão pouco tempo. Fiz uma daytrip pra Londres sábado passado, então vou postar em breve.
Tenho recebido bastantes perguntas no ask.fm, e algumas foram bem interessantes. Inclusive acho que vou fazer outro post informativo de tão boas que estavam algumas perguntas. Dúvidas também? Pergunta lá http://ask.fm/expressolondres. Abraço.
Warsaw estava ali bem no meio da minha viagem, e logo depois do planejamento achei que ia poder descansar mais tempo lá, afinal não ia ter muita coisa pra ver, não ia ser tão legal quanto as outras cidades, e idiotices desse tipo. Manter as expectativas baixas é uma das melhores estratégias do mundo, nem que não seja proposital, te permitindo ter grandes surpresas - como eu tive - e descobrir as maravilhas que o mundo desconhece. Prepare-se, hoje eu vou te convencer a ir à Polônia.
Foi ouvindo sobre o papel que a religião exercia na vida dos poloneses que eu pude perceber que a mesma coisa acontecia no Brasil, e que dificilmente a gente percebe a influência que a religião tem em certas atitudes no nosso dia a dia. 94% dos poloneses acreditam em Deus - com um número absoluto de católicos - e metade deles vão a Igreja pelo menos uma vez por semana. Talvez os brasileiros já não sejam mais tão fervorosos, porém compartilham bastante semelhanças.
Segundo a guia, a influência é tanta que até na hora que políticos precisam justificar decisões, abertamente se apoiam em preceitos cristãos, quando em tese, o Estado deveria ser laico. Como prova dessa imersão na política, há uma foto de um famoso político polonês que carrega no seu terno um broche em devoção à Black Madonna (Virgem Negra). Não só ele é devoto, a Polônia inteira é. Todas as Igrejas católicas por onde passei havia uma réplica dessa obra, e a crença é tanta que a guia contou de um costume que estudantes - não se resumindo apenas aos católicos - tem de pedir ajuda antes de provas difíceis e agradecer depois de bons resultados. Natal, Páscoa e feriados também carregam um simbolismo religioso na tradição de se passar com a família, mas uma vez distintamente das pessoas serem religiosos ou não.
Uma personalidade conseguiu carregar e talvez manter essa fé ainda mais viva: João Paulo II. Todo mundo o conhece como o Papa, mas na Polônia ele tinha um significado diferente, porque ele era polonês e claro que os poloneses sentiam um vínculo mais forte, chamando-o de 'O nosso Papa'. Assumindo o posto desde de 1978, muito gente lá nasceu e cresceu com esse homem, e nem é possível tentar explicar a devastação que foi quando ele morreu.
Esse conjunto de fatores 'modernos' contribui pra manter a religião como um fator consolidado, mas a base disso se construiu durante as guerras e um pouco antes disso.
"Até a Primeira Guerra Mundial, a Polônia simplesmente não existiu. Falar polonês era punido como crime. Demonstrar orgulho nacional era proibido. Mas a identidade polonesa sobreviveu na clandestinidade. Uma forma de preservá-la era ler a literatura épica de autores nacionalistas. Outro ato de amor à pátria era ser católico. A Polônia é um país majoritariamente católico há mil anos e está cercada por vizinhos protestantes e ortodoxos. Ser católico sempre foi sinônimo de ser patriota. Uma oração solitária dentro de casa era uma forma de resistir. (Trecho retirado de O Papa e a História)"
Partindo dessa transição da religião para a guerra surge outra característica polonesa digna de ser admirada: O Nacionalismo. O orgulho deles é tão forte que um dos dias mais importantes do ano é baseado numa derrota, 1º de Agosto de 1944, quando começou o Warsaw Uprising. Uma tentativa durante a Segunda Guerra Mundial de se livrar do domínio alemão onde as probabilidades de vencer eram quase impossíveis, e todos sabiam disso, mas eles preferiam morrer com dignidade à continuar naquele regime absurdo.
W-hour (Hora W) corresponde às 17:00 e marcou o início da revolta. Depois de algumas horas de luta, os civis decidiram ajudar a "Polish Resistance Home Army" construindo barricadas possibilitando uma estratégia mais defensiva. Essa revolta não duraria muito, e exatamente 63 dias de agonia e sofrimento depois, a única diferença vista era a baixa na população e a destruição completa da cidade. Uma revolta que tinha como objetivo não só a independência dos alemãos mas também barrar a entrada soviética. Resultado: em janeiro de 1945, 85% da cidade estava destruída, e nada havia sido conquistado.
Tive a sorte de estar no começo de agosto em Warsaw quando os cidadões enchem os marcos de barricadas com flores. Warsaw não esquece sua história, e muito menos a coragem daqueles que um dia deram suas vidas pra tentar fazer a diferença. Todo 1º de Agosto às 17 horas, uma sirene toca pela cidade e durante um minuto as pessoas param tudo que estão fazendo e ficam em silêncio em sinal de memória. Também presenciei a filmagem do filme City 44 que vem sendo muito esperado pelos poloneses pois retrata justamente toda a história do Warsaw Uprising. Inclusive, vários civis se dispuseram a encenar de graça pra ajudar o filme a ser desenvolvido, e uma curiosidade é que serão 63 dias de filmagem, o mesmo número de dias que durou a revolta.
Se tive uma coisa que eu aprendi viajando é que você nunca deve subestimar qualquer cidade do mundo, pois ela certamente vai ter algo a te acrescentar, ainda mais se for uma capital. Warsaw tem muita coisa interessante, e nesses dois fenômenos eu decidi dar mais atenção - ao invés de apenas riscar a superfície - porque foram as coisas que me marcaram e certamente não vão me deixar esquecer dessa cidade incrível nem tão cedo. Warsaw talvez entre fácil no seu coração, mas cuidado, uma hora ou outra ela pode querer se apossar dele!
The Little Soldier
Chegando em Warsaw de Trem partindo de Praga
Quando eu fui comprar o ticket desse trecho, aceitei a brilhante ideia de pegar um trem noturno, o que significa que eu iria ter que dormir no trem, mas brilhante ainda foi decidir ficar num cadeira ao invés de reservar uma cama em um vagão propício. Comprei por aqui (http://www.cd.cz/). Estrago feito, não tinha muito o que fazer. O trem partiria as 22:00 e chegaria as 7:00 do dia seguinte. Tudo parecia ótimo quando meu assento e o da minha companhia eram numa cabine de seis assentos só que não havia mais ninguém lá. Poderíamos dormir deitando sobre os três assentos e sermos felizes, mas felicidade de pobre acaba rápido, logo apareceu um casal estranho e tomou duas cadeiras da ponta.
Como foi logo no começo da viagem, quando ainda estávamos no processo de arranjar sono fazendo outras coisas, não teve muito problema. Estou com medo de descrever o que vem a seguir e tornar esse blog impróprio para menores de 18 anos, mas vamos lá. O rapaz começou a tirar os sapatos da mulher e massagear os pés dela, e depois de um tempo a mulher se levantou do nada e montou no rapaz. Sim, meu caros leitores espantados, imaginem eu que estava do lado. A moça resolveu tirar um cochilo (?) montado no rapaz, claro, normal, todo mundo faz, vamos montar no parceiro e dormir, numa cabine com duas outras pessoas.
Eu logo peguei um livro, embora continuasse sendo traído pela minha visão periférica. Não sei bem quantos minutos se passaram disso, mas uma parada depois eles foram embora, amém. Assim que eles saíram comecei a rir feito uma criança, primeira fase, depois a vergonha alheia me preencheu, e fechando a cortina tive minha primeira tentativa de dormir.
Foi uma noite terrível, entre momentos que eu acordava sozinho, ou tinha que acordar pra mostrar o bilhete, numa pseudo cama muito desconfortável. Depois chegaram mais pessoas pra cabine e nem deitado eu podia ficar mais, tinha que me apoiar na janela. Pior ainda, muita dor no pescoço. Acabei que fiquei acordado das 5 até a hora de chegar. Uma lição disso tudo: trem noturno só se for com cama e olhe lá!
Hostel
O hostel forneceu instruções bem claras do que fazer depois de chegar na estação de Warsaw, mas a gente foi muito burro e não conseguiu encontrar o ponto de ônibus de primeira. Foi fácil comprar o ticket na maquininha e minutos depois lá estava eu chegando no Hostel.
O nome do hostel era Hostel Helvetiae foi o melhor hostel e o mais barato que eu fiquei a viagem inteira. O quarto era projetado, cada um tinha um locker embaixo da cama, tudo muito organizado, e os banheiros eram excelentes. O café da manhã era simples mas tudo de muita qualidade. Tínhamos acessos a computador, videogame e DVD se quiséssemos. Foi lá que eu assisti pela primeira vez Batman o Cavaleiro das Trevas. :D
Roteiro
Claro que a primeira coisa do dia tinha que ser o que? Free Walking Tour. O Tour começa na Sigmund Column que é uma coluna em homenagem ao Rei Zygmund III que moveu o trono da cidade de Krakow para Warsaw. (Talvez vocês já tenham ouvido falar em Krakow como a cidade cultural da Polônia). A verdade é que a rixa entre as duas cidades surgiu dessa troca de cidade real que aconteceu porque o Palácio Real pegou fogo, então decidiram construir outro em Warsaw, então há pessoas de Krakow que até digam que foi tudo forjado pra haver a troca.
O Palácio Real fica bem ao lado, e depois de uma olhada superficial, não tem nada de chamativo. O mais interessante é que o Palácio foi reconstruído depois das guerras e o dinheiro veio da população que começou a doar anonimamente para conseguirem reeguer esse pedaço da história polonesa.
Bubbles
Interessante que no relógio que fica na torre do Palácio às 11:15 todos os dias do ano, aparece um cara que toca um trecho do hino (acho que polonês) duas vezes. Isso porque o relógio do antigo palácio parou exatamente nessa mesma hora, então quando reconstruíram o relógio partiu também desse mesmo horário, e tem também esse leve hino todo dia nessa hora.
O povo adora um sino!
Esse bendito sino é mais um daqueles símbolos de sorte. Olha a malandragem, você tem que dar três voltas ao redor do sino, pulando, em uma perna só. Tá pensando que o sino realiza desejo assim de graça? Tem que fazer papel de palhaço antes, rapaz!
Seguindo em direção à Old Market Square, outra que foi reconstruída exatamente como era antes depois da guerra, você vai encontrar uma (de várias) sereia bem no centro da praça. Essa sereia guerreira é o símbolo de Warsaw.
A lenda dela é meio sem graça, mas o significado de símbolo de garra e confiança que representa a cidade é bem legal. Falam também que ela é a irmã bad-ass da sereia em Copenhaguen. Claro que agora eu tenho a obrigação moral de ir visitar a irmã dela e mandar lembranças, né? Quem concorda?
Guitarrinha à lá saci pererê
Passamos nessa espécie de gate/ponte que tem algum nome relacionado com cachorro :S Aproveitei pra fazer minha guitarrinha à lá saci pererê porque gostei do local.
Além do Papa João Paulo II que se você não sabia, agora deve saber que é polonês, quem mais te lembra da Polônia? Deixa eu te dar uma dica: Química.
Museu da Marie Curie
Marie Curie. A famosa alquimista que descobriu os elementos Rádio e Polônio. E você achando que era coincidência que o nome do segundo elemento fosse esse. Bobinhos. Ela era polonesa, mas tinha esse nome francês, porque casou com um. Ela foi a única pessoa até agora a ganhar dois prêmios nobel em categorias diferentes, não me perguntem em quais. Essa foto aí em cima é do museu dela lá em Warsaw.
Bem aí ao lado era a rua que estavam gravando o filme City 44 que eu estava falando um pouco antes. Era bem perto daí também que tem um milk bar que eu não consegui comer :( Bem, pra quem não saber, milk bar é um tipo de restaurante comunista que serve comidas muito baratas, e vinha bem a calhar numa época como aquela. Hoje, alguns permanecem, porém cada vez mais desaparecem já que não conseguem lidar com os altos alugueis. Eu planejei comer nesse, só que as filmagens meio que fecharam o restaurante, fazer o que?
Little Soldier
Ali perto também tem o monumento do Little Soldier (Pequeno Soldado). É meio chocante ver uma estátua de uma criança em forma de soldado segurando uma arma. Os poloneses, no entanto, veem com outros olhos, como eu já falei, um sinal forte de patriotismo. As flores, guirlandas e tudo mais são em homenagem ao Warsaw Uprising, como eu também já expliquei lá em cima.
Nem preciso dizer que estava muito calor em Warsaw né? Pra variar. A cidade organizou umas mangueiras de bombeiro, sei lá, algo do tipo que ficava jorrando água eternamente. Eu passei por essa mangueira aí muitas vezes, e nem uma das vezes que fui faltou uma criança tomando banho. O legal é que os pais incentivavam, e até entravam na brincadeira. Era muito lindo de ver. Teve um neto que levou a avó numa cadeira de roda pra passar pelo jato, e todo mundo se divertiu. Teve até uma noiva e noivo que estavam tirando fotos pela redondeza e decidiram aderir.
Arco-íris bumbunesco
Eu só fui uma vez, porque estava com dor de garganta. Infelizmente, mesmo tendo preparado meus remédios pra levar na viagem, acabei esquecendo, e chegando em Warsaw tive que ir numa farmácia, de todo jeito. Pra minha sorte, a mulher não falava inglês, então apontado pra minha garganta, ela me trouxe umas pastilhas que eu fiquei tomando de 3 em 3 horas. Voltei só no hostel pra pedir pra recepcionista ler e ver se não era veneno. Uma das recomendações era que não podia estar grávido, mas tive que arriscar a vida do meu neném pra curar minha garganta. Coisas da vida.
Também nessa área, havia um lindo Pizza Hut. :))))))))))))))))))))) Felicidade eterna. Praticamente todas minhas refeições foram lá - me julguem por não estar comendo comida local - mas eu tentei duas vezes comer em restaurantes típicos, mas uma foi a do milk bar e a outra tava lotado. Fui ser feliz comendo pizza e massas, ricamente, porque a moeda da coitada da polônia é EXCELENTE pra ser rico. Ficamos lá aguardando o pôr do sol, e a foto mais linda chegou.
Foto mais linda de todas!
Já no outro dia fomos até o distrito de praga. Tomei um caminho bem longo em que pudesse caminhar bastante, mas com exceção da ponte que ventava bastante, morri de calor no resto.
Ponte legal
Depois de andar, andar e andar...
Estátua legal
E andar mais um pouco, chegamos na Praga Catholic Cathedral. A Catedral é muito foda só porque ela tem uma torre com uma coroa 'entalada'. Ela é muito linda. Vale a pena visitar, e o interior da catedral é massa e de graça.
Frente da Catedral
Notem que tem outra mangueira daquela de se refrescar.
Lateral da Catedral
A torre com a coroa tá aqui!
Próximo a essa catedral tem outra catedral só que a ortodoxa, Orthodox Cathedral.
Tão vendo que as portas estão fechadas?
A história de como eu entrei nessa Catedral é muito estranha. Primeiro que tinha um casal checando todas as portas pra entrar, mas como ele não teve êxito, nem me dei o trabalho de repetir as ações. Logo depois de eu tirar essa foto, lá vinha umas três senhoras beatas com o padre, provavelmente. Ele abriu a Catedral pra elas, e eu logo me aproximei até a porta pra ver se ele ia me deixar entrar, porém logo vi um cartaz dizendo que não podia entrar de short nem de sandália, e adivinha o que eu estava vestindo? Fiquei lá na porta então, só curiando, porque não ia ter jeito, até que o Padre aparece do nada e simplesmente faz um sinal para que eu entrasse.
Que cara do bem! Eu achei que ele não ia me deixar entrar nunca, e tal, só que mais uma vez Warsaw me surpreendeu. A Catedral aparenta ser grande mas é minúscula internamente. Vejam.
As beatas gaiatas!
Depois daí, fomos num shopping que ficava ali perto. Primeiro shopping que eu fui, eu acho, em outra país que não o UK. Comi e voltei pra luta que é ser turista. Caçando coisas legais no mapa descobri algo que eu nunca esperava encontrar: ursos. Melhor, ursos no meio da rua. Vivos e soltos. Ok, exagerei.
Eu quis dizer no meio da calçada e soltos dentro da casinha deles, mas mesmo assim! Eles ficam ali só fazendo charme pra gente se abestalhar e ir pro zoológico. Eles quase conseguiram, eu fui ainda até a porta, mas desisti porque estava morto de cansado e absolutamente exausto no calor que estava.
Urso 1: preguiçoso e antissocial
Urso 2: Observador.
Urso 2: Fotogênico e Simpático. Foto de perfil!
Esses ursos estavam melhor que eu nadando naquele calor da mulesta. Enfim.
Ponte voltando!
Voltando na outra ponte dá pra ver ao longe pela ponte que eu vim (Tá vendo como eu andei pra porra?) e também dá pra ver o estádio ao lado.
Agora vou exigir ainda mais da sabedoria de vocês. Quero mais duas personalidades famosas da Polônia. Vamos lá. Dica do primeiro. É o senhor dessa estátua abaixo.
Ok, Copérnico. That's all. Agora me digam o segundo. Um famoso compositor.
Se vocês entenderam bem o compositor é Chopin, nessa tumba ficou guardado o coração dele. Quando eu falei lá em cima: "Warsaw talvez entre fácil no seu coração, mas cuidado, uma hora ou outra ela pode querer se apossar dele!" eu falei sério. Warsaw tem essa brincadeira de gostar de corações. Quando Marie Curie morreu em Paris, e recusaram mandar o corpo de volta a Polônia, exigiram que ao menos o coração dela fosse enviado. O mesmo aconteceu com Chopin. Eles tem esse negócio que o coração do povo tem que voltar pra lá e isso me dá arrepios.
Junto a tumba à uma citação de São Mateus: "Where your treasure is, there will your heart be also." (Onde está o teu tesouro, aí estará o seu coração também) Essa história não termina aqui, mas não posso dar spoilers da continuação que vem pela frente (me arrepiando agora mesmo). Quero pedir a todos aqueles que acompanham as viagem do blog que lembrem dessa citação quando eu fizer o post de Roma.
Outra coisa que me marcou em Warsaw foi a musicalidade. Na rua principal que eu ia do Hostel até o centro era simplesmente lotado de gente tocando instrumentos clássicos e sempre muito bem, esbanjando talento, batalhando moedinha à moedinha com toda a concorrência de músicos. E claro que não podia faltar sanfoneiros. Voltando bem rapidinho lá na Old Market Square só pra eu explicar o título do post.
Sábado lá na praça
O sanfoneiro começou a tocar
E ia passando um turista
Tomei coragem e parei pra escutar.
Nossa, Nossa, não tô acreditando
É 'Ai se eu te pego', É 'Ai se eu te pego'
Jesus, Jesus, como isso chegou aqui?
É 'Ai se eu te pego', É 'Ai se eu te pego'
Se você não conseguiu sacar, tinha um sanfoneiro que tocava 'Ai se eu te pego' e de bônus, 'Tchechereretcheche'. E não foi só uma vez, foram pelo menos 3 vezes. Não na mesma hora, ele sempre mudava de lugar, e eu não sei que macumba era aquela, mas toda vez que eu passava ele tocava a bendita da música. Ou eu tenho muita cara de brasileiro, ou foi só azar desse hit em Warsaw mesmo.
Eu só não posso terminar esse post sem antes falar em Vodka. Não sabe-se a origem exata da bebida, mas temos certezas das raízes polonesas. Coisas que aprendi na Polônia: nunca entre numa competição de bebida com um polonês, e só existe um jeito de escapar da proposta "Venha beber comigo". Você tem que dizer que está dirigindo ou vai dirigir, porque em outro caso vão ficar ofendidos achando que você não gostou da pessoa. Hilário.
O shot que fiquei deve(bebe)ndo foi dessa bebida aí em cima. Falaram que ela é a perfeita combinação com suco de maçã. Se no aeroporto eu tivesse achado numa versão BEM menor eu teria comprado pra provar, mas infelizmente só tinha essa garrafa gigante. Vocês já sabem que eu não bebo, mas não perco a oportunidade de provar de tudo.
A Polônia foi isso tudo de bom. Foi música, foi aula de orgulho, humildade e união. A única coisa ruim foi eu ter ficado com dor de garganta, mas todo o resto contribuiu para uma estadia perfeita nessa cidade fantástica que eu recomendo a todo mundo conhecer. Não hesite, vá ser feliz em Warsaw!
A estação de Berlim é enorme e por ser época de verão estava absolutamente lotada, porém como eu já havia chegado por lá, tive a vantagem de conhecer mais ou menos, embora não fosse muito difícil encontrar uma plataforma de trem depois que você pega tantos. O único problema mesmo é que não havia assento na nossa passagem, e isso só me lembrou de um casal de brasileiros no trem para Berlim que tinha que ficar constantemente mudando de assento porque sempre chegava o dono do lugar. Achei uma cabine e fiquei por lá, com uma senhora que não falava inglês. Mais tarde um casal de suíços (que eu conversaria mais tarde) e um casal de alemãs (acho) completaram o vagão.
Numa viagem longa como essa você acaba tendo que conversar com alguém, senão vira insuportável. Os suíços também estavam viajando, porém com o passe de trem da Interrail que eu até cogitei comprar pra essa viagem mas acabei desistindo por não ter conseguido achar informações o suficiente. Nessa viagem meu objetivo com os suíços era descobrir porque a Suíça era neutra e não fazia parte da União Européia. Toda vez que encontrava um, eu perguntava. Felizmente esses souberam me responder. A Suíça tem uma moeda muito forte, então se eles entrassem na União Européia iriam perder essa vantagem ao migrar pro euro, e basicamente ele falou que o país já é independente o suficiente e não quer entrar no bloco.
O momento mais tenso da viagem foi quando um cara de fedia igual à 40 anos sem tomar banho, entrou na cabine e deixou a bagagem dele. Tinha um lugar vazio mesmo, porém todo mundo já tava pensando no caos que ia ser se aquele homem entrasse naquela cabine completamente fechada. Felizmente, acho que ele tinha noção do 'odor' liberado por si próprio (o que me deu pena do coitado) e ficou no corredor o tempo inteiro. A questão é que se ele decidisse entrar na cabine, eu teria um espontânea e repentina vontade de passar o resto da viagem no corredor, pra não dizer que eu ia sair correndo pra respirar oxigênio puro do lado de fora da cabine.
Finalmente chegamos à Praga. Me despedi dos suiços que não iriam ficar no mesmo hostel que eu, infelizmente. Cansado de tanto pegar transporte público pra chegar no hostel, porque as vezes não é tão longe assim, mas principalmente pela vontade de economizar, decidi ir a pé da estação até o hostel. Olha, Praga é muito pequena, e eu não me arrependo um tico de ter feito isso, porque meu hostel era bem no centro da cidade e acho que não gastei nem 15 minutos da estação até lá.
Hostel
Aliás, o hostel era muito bom. Ele se chama Hostel Prague Tyn. O meu quarto era muito quente porque tinha um exaustor apontado pra ele, mas era uma calor absurdo, ainda mais do que senti em Berlim, e o único jeito de dormir a primeira noite foi molhando a toalha pra por sobre mim, embora eu tenha acordado com trovões no meio da noite da gigantesca tempestade que ocorria lá fora. Os banheiros masculinos não são bons porque a entrada fica fora dos corredores, na escada, e são pra duas pessoas. A questão é que são poucos banheiros e tem sempre gente entrando pra achar uma vaga. Fora esses detalhes, o hostel era excelente. Café da manhã muito bom, recepcionista bastante disposta a ajudar, tinha até computador pra usar internet se quisesse, internet rápida, aliás.
Culinária Tcheca
Com o pé fora do hostel, comer era a primeira necessidade e o restaurante indicado me veio com um "Você tem mesa reservada?" Eu sinceramente reflito se a pergunta é de prache ou se foi uma tentativa de intimidar um turista de bermuda e sandálias. Uma vez na mesa, preços bem interessantes, embora eu não tenha dado sorte com o prato que escolhi, e agora corra de qualquer coisa que envolva dumplings. Após mais alguns minutos de negligência dos garçons, pedimos a conta. Nos foi deixado BEM claro que a gorjeta não estava inclusa, e claro eu saí feliz e satisfeito de saber que nenhum centavo além do ordenado ficaria naquele estabelecimento. (Sim, dar gorjeta foi algo que aprendi a fazer e a entender)
Aí você me diz que com certeza isso foi um caso isolado de um pub metido com meia dúzia de garçons, e talvez eu até concorde se você estiver se referindo ao mau atendimento. Não vi na cidade - pelo menos no centro - nenhum restaurante que proporcionasse um clima despojado ou sequer tivesse como público alvo um público mais estudantil - com exceção do proposto pelo Free Walking Tour que por acaso era caro.
A verdade que eu tirei foi que Praga é uma cidade para ostentar. Quer comer em um lugar que não um fast food? Arrume-se e vá disposto à esperar por uma mesa. Não esqueça do seu Rolex ou do colar Swarosvisk. Lembra que em Amsterdã eu tinha que desviar das bicicletas? Agora eu desviava de conversíveis. O pior é que, como eu disse, os preços não são absurdos, são é muito em conta se você converter. Paguei o mesmo valor da conta no restaurante quando comi um sanduíche e refrigerante no Subway. (McDonalds oferecia deals bem interessantes) Bem, tendo xingado os restaurantes metidos e esse "clima" de Praga, só vem coisa boa.
Obs.: Eu realmente torço que minha opinião seja extremamente equivocada, até porque comi em mais um restaurante, não despojado, mas com atendimento simpático. Talvez se eu tivesse procurado melhor, teria achado lugares mais despojados.
Roteiro
Old Town Square
O dia começou mesmo logo cedo no Free Walking Tour da Sanderman's. Sim, de novo; E não, não é propaganda. O tour começa na Old Town Square que fica bem no centro da cidade. O dia já começou surpreendente quando nos foi explicado porque Praga é tão bem conservada, e de fato é uma das poucas cidades da Europa que você vai e não encontra nada em restauração. Houveram boatos que Hitler queria se aposentar lá. Legal não? Obviamente, se ele gostava da cidade era pra deixar inteira, e não destruir. Eu já não estava com uma visão legal de Praga, e esse fato não melhorou, sinceramente. Ok, não é culpa da cidade e tal, mas mesmo assim.
Old Town Square
Eu até me considero uma pessoa que consegue ler mapas bem, só que era simplesmente impossível seguir um caminho pelo mapa, porque as ruas tem formatos muito irregulares e mudam de nome do nada, e na junção com outras aí é que lasca tudo porque você já não sabe mais quem é quem. Solução? Pra caminhos eu tenho uma boa memória - já pro resto das coisas importantes do mundo, minha memória me sacaneia - então decorei as idas e vindas de cantos que eu teria que passar, claro, porque você entra num beco aqui, passa por dentro de uma galeria ali e assim vai.
Old Town Square vista da Old Town Hall
Eu esqueci de tirar pelo menos uma foto, mas o guia falou que antigamente as ruas não tinham nomes como agora, mas ao invés disso tinham placas de animais, inclusive uma das ruas que passa na praça era a do unicórnio. Então, Zé, você segue no Cavalo, e quando tiver bem no finalzinho entra no Cachorro, aí você vai passar pelo Boi e pela Cobra, mas quando chegar no fim, já vai estar no Peixe. Entendeu?
Old Town Square vista do Old Town Hall
Eu tenho quase certeza que foi em Praga durante uma invasão que os moradores tiraram as placas com os nomes das ruas pra dificultar a entrada do exército inimigo, o que foi genial, porque eu te digo, se com nome, com mapa, com gente pra pedir informação já é difícil, sem nada disso é um labirinto.
St. Nicholas Church à esquerda e Tyn Church à direita ao fundo
Ainda falando sobre a praça, há nela duas Igrejas: a St. Nicholas Church e a Tyn Church.
St. Nicholas Church
A Tyn Church antes de chamada de The Church of Our Lady tem uma singularidade que me fez lembrar dela. Há uma torre 7 centímetros maior que a outra, proposital ou não eu já não sei, mas a questão é que a torre maior é chamada de Adão e a menor de Eva.
Tinha um cara divertindo as crianças com bolhas, ele me divertiu mesmo sem saber já que eu tava querendo tirar uma foto com as bolhas :x
Ângulos
Tyn Church vista da Old Town Hall
Esperando pra ser descoberta, há placa que registra que Albert Einstein professor da Universidade de Praga, a universidade mais velha da Europa, se eu não me engano, por um ano, tocou com os amiguinhos Max Brub e Franz Kafka.
Oi Albert!
Os tchecos são legais (caso eles estejam lendo isso) mas antigamente eles tinham um hábito estranho de resolver diferenças jogando os amiguinhos, quer dizer, os não amiguinhos pela janela. Você pode encontrar vários desses incidentes na história tcheca, mas um em especial ficou marcado nessa praça que eu não paro de falar. Basicamente 27 nobres estavam bem insatisfeitos com a regência política quando foram lá atrás dos ditos cujo e arremessaram pela janela. Esse arremesso geralmente era mortal, mas acabou que os danados dos políticos sobreviveram e foram reclamar com sua vizinha Vienna. Pra dar uma lição na nobreza, simplesmente enforcaram os 27 nobres. Hoje na praça você pode encontrar 27 'x' registrando o acontecimento.
Aquele tipo de coisa que ou você sabe, ou não sabe
Só falta uma coisa para eu largar de vez a bendita praça Old Town Square, prometo. Acho que provavelmente vocês já ouviram falar do Astrological Astronomical Clock. Antes de sequer pensar em ir à Praga, eu já tinha visto umas fotos dele e já tinha marcado na minha lista do tenho que ir um dia. Como um bom engenheiro, claro que eu queria saber todo o funcionamento do relógio e o significado por trás de cada ponteiro/pintura/posição. Primeira decepção: o conceito usado no relógio foi errado porque eles acreditavam que a Terra ficava no centro do universo, infelizmente.
Eu, mostrando porque tinha vindo!
Desconstruindo o relógio. Na parte de cima, temos um galo de ouro e as portinhas por onde saem o 'cuco' desse tipo de máquina. Só que em vez de um pássaro são os 12 apóstolos que passam por lá cada um carregando algo pra dar de presente ao menino Jesus. Clássico.
Nessa parte já tem bem mais coisa e nem faz sentido explicar porque ele não aponta pras coisas certas, porque como já disse foi baseado na teoria errada. Enfim, tem os ponteiros que mostram a posição do Sol e da Lua, os signos e mais coisa ainda. Atentem pra esses bonequinhos, dois de cada lado, pois eles representam pecados que desvirtuam o caminho do homem.
Aqui não dar pra ver, mas esses 'borrões' pretos no círculo branco externo são nomes. Foi dito que há 365 nomes, um pra cada dia do ano, e se for seu nome você comemora o/ Depois vou dar uma olhada pra ver se acho o meu.
O apreço que a cidade tem pelo relógio é o fato dele ser bem antigo, completando recentemente 600 anos. Ele é todo mecânico, e esses bonequinhos todos mexem e tal. Pra algo que foi construído em 1400 e um pouco imaginem o sucesso que não foi na época. Logicamente, o criador dessa obra deve ter ficado rico e altamente conhecido né? Altamente conhecido sim, porque pra mostrar a extrema gratidão pela criação do relógio, o rei cortou a língua e cegou os olhos do coitado. O rei gostou tanto do relógio que não queria que o criador fizesse outra réplica pra nenhum outro lugar do mundo.
É um absurdo tão imenso que eu fiquei entre um riso e um grito de ódio.
Ok, saí da praça. Nas ruas de Praga olha só o que eu encontrei. Um dementador aposentado, cansou dessa vida de sugar as almas do pessoal e agora é conselheiro amoroso, dizem que beija bem pra caramba, mas aí foi só o que me disseram!
Apelido: Hitch!
Depois de tanto conhecer museus, nessa viagem por opção decidi evitá-los :S
National Museum
National Museum
Pra quem gosta de uma história macabra de leve porque existe essa categoria, claro aqui vai uma. Era uma vez um ladrão que decidiu roubar um lindo colar que ficava no pescoço da virgem maria. Certa noite, ele decidiu invadir a igreja, e tudo ia dando certo até ele chegar bem perto do colar...
Já com a mão no colar, quando estava a tirá-lo do pescoço da estátua, repentinamente o que era pedra ganhou vida e agarrou a mão do ladrão. Ele implorou para que a estátua a soltasse mas ela já não respondia. Ele esperou o Padre abrir a igreja e resolver tudo aquilo. Explicou o que havia acontecido e suplicou a ajuda do Padre, e então ele respondeu: "Vamos ter que cortar essa mão, para deixar a outra livre." O ladrão aliviado agradeceu e perguntou como ele faria para quebrar a mão da estátua. "Ah, não seja tolo meu caro rapaz, a mão que será arrancada será a sua e não a da estátua."
Para os descrentes, ou para qualquer um que cogite roubar a igreja, basta adentrá-la e ver a mão pendurada logo na entrada da mesma! Vai encarar?
Mãozinha mãozinha HEY! Mãozinha mãozinha HEY! Mão na cinturinha e desce desce desce desce.
Essa igreja por acaso ficava perto do hostel onde eu estava, e quando passei a primeira vez na esquina que ia chegar nela, vi um grupo de turismo falando bem baixinho. Já imaginava que o negócio era sério por aquelas bandas e achei melhor acelerar o passo. Mais tarde ouço essa história, e não tiro mais as mãos do bolso só por precaução. Sempre!
Prédio Cubista
Praga tem outra singularidade. Quando surgiu o movimento cubista, eles decidiram não só aplicar as telas, mas também construir prédios nesse estilo. Ainda inspirado no cubismo, há um café no prédio em que tudo é cúbico, pelo menos foi o que o guia me contou. Ele falou que só não garantia o vaso sanitário, mas as xícaras, cadeiras, açucar e tudo mais seria.
Café Cubista
Já estava mais que na hora de ir conhecer o Castelo de Praga. O maior castelo medieval do mundo. Para chegar até o castelo, primeiro temos que cruzar o rio por uma de suas pontes, mas por motivos óbvios, todos escolhem a Charles Bridge. Um ponte antiga não tem como ser surpreendente, tem? Tem. A cada trecho duas estátuas, uma de cada lado, decoram a passagem daqueles que por ventura precisam atingir a outra margem. Pintores, artistas e até uma banda com repertório anos 40 unem-se para replicar um clima totalmente saudosista. Ponte cruzada e admirada, só uma parada antes de começar a escalada até o topo do castelo: John Lennon's Wall.
Charles Bridge vista de outra ponte.
Melhor combinação de estátua com o Castelo.
O que não faltavam eram estátuas hipnotizantes à se olhar.
Lennon Wall ou John Lennon Wall um dia já foi uma parede normal pintada com o desenho de John Lennon e alguns trechos de músicas dos Beatles. Só que essa simples parede serviu de apóio para estudantes durante o comunismo, proporcionando um clima inspirador que os fez escreverem mensagens perseverantes na mesma parede. Claro que não demorou muito até que os comunistas se sentissem ameaçados, fazendo-os passar uma nova camada de tinta sobre a parede e deixando-a limpa. No dia seguinte porém, tudo era reescrito na parede, e essa tradição se prolongou. Felizmente, quem vai a Praga tem a oportunidade única de escrever na parede de John Lennon, onde é totalmente permitido e também encorajado.
Quando você escreve só tem uma garantia: não vai durar muito tempo. Há mensagens de todos os tipos e de todas as formas. É inspirador. É uma metáfora. Tudo é passageiro. Todos querem fazer a diferença. Eu não ia deixar essa oportunidade de lado e logo fui pegando minha canetinha pra deixar uma mensagem, caso alguém viesse a ler ou não. Eu queria deixar um texto enorme agradecendo ao universo por esse ano incrível que está sendo 2013, mas como o espaço era pequeno preferi deixar outra mensagem.
Vai ser analfabeto assim lá longe. É "kombi".
Era o que tinha pra pegar carona, né?
Estão vendo a pequena kombi? Bem, eu estou lá.
Eu me senti parte da história por alguns segundos, minutos, horas, dias quem sabe. Eu fiquei gravado em Praga, e Praga ficou gravada em mim.
Não mais fugindo do Prague Castle lá cheguei e foi tudo muito rápido. Subi até a parte mais alta que é onde fica a St. Vitus Cathedral passei por lá, descansei um pouco e já comecei a descer novamente.
Prague Castle visto do Old Town Hall
O ângulo para tirar fotos da catedral é terrível porque ela é muito próxima de edifícios, daí é complicado tirar fotos dela completa, o que deu foi isso aqui.
Enorme!
Lá do Castelo você tem uma vista privilegiada da cidade.
Estátua de Franz Kafka!
Estão vendo essa estátua atípica aqui em cima? Ela foi feita em homenagem ao escritor tcheco mais famoso, chamado Franz Kafka. Eu já devia ter ouvido falar dele, mas confesso que não tinha nenhum lembrança. Só essa estátua já chama atenção suficiente pra uma vida, só que com a breve descrição de um trecho de um dos vários livros de Kafka eu sinceramente fiquei absolutamente interessado.
O tempo que eu costumava usar pra descansar a noite nos hostels virou caça à obra de Kafka em Praga. Eu consegui um pdf com praticamente todas as obras dele, e até li uma inteira, mas foi uma leitura confusa. Pra começar era em inglês, o que já dificulta, enquanto a leitura de Kafka tende a ser pesada e requer muita atenção. É bastante depressivo sim, mas é só não ler muito com frequência SHAUH
Mas a personalidade do ano mesmo em Praga foi Brinks. Nunca imaginei que Brinks realmente existisse e apenas estivesse descansando num banco em Praga. Essa cidade tem disso, misteriosa a cada esquina, surpreendente em cada banco.
Não demorou muito pra conhecer a personalidade forte de Brinks, e apesar de não ter um pé, ele adora tirar onda com isso. Quase me enganou quando fui tirar uma foto com ele.
Como assim meu pé é o pé de Brinks?
Outros fotos de praga.
Piadas sem graça a parte, Praga era a peça que faltava pra encaixar no meu quebra-cabeça da última eurotrip: Bratislava, Vienna e Budapeste. Detalhes me faziam lembrar de coisas que eu havia ouvido, e quanto mais eu andava, mais tudo fazia sentido. História é muito legal quando você pode pisar nos lugares e ir entendendo como tudo aconteceu ao mesmo tempo que presencia fatos e figuras.
Praga na minha cabeça vai ser sempre um sinônimo de invasão, seja dos conversíveis nas ruas, da burguesia no comércio ou apenas de Káfka na minha avidicidade literária. Terra de lendas intrigantes, abriga também histórias reais de heróis do comunismo, e a antiga tradição de arremessar políticos. E é só por precaução que eu nunca fico entre um tcheco e uma janela.