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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Kasbah

Na sexta, ocorreu o primeiro encontro da Portuguese Speakers Society (Sociedade dos falantes do português - a tradução ficou estranha). Ao chegarmos em Coventry, descobrimos que na universidade existia uma sociedade específica para as pessoas que falam português, e claro, ela acolheu todo o grupo brasileiro, até porque é administrada por um. Fomos a esse bar no The Hub. Calma, deixa eu falar o que é o The Hub. É um prédio, fenomenal, para os estudantes. Você só entra se tiver o cartão, aquele que fiz no primeiro dia da universidade, e com ele você literalmente abre portas. É muito legal.


The Hub, o prédio da esquerda. No fundo, a catedral de Coventry.

Vista do terceiro andar do prédio The Hub.


Nest (ninho)

Então, você viram que o prédio é bem moderno, e as instalações são bem aconchegantes, com destaque para os nests. Não há nada como deixar num destes para um descanso de algumas horas minutos entre as aulas. As aulas ocorrem em outro prédio nas redondezas deste. O The Hub ainda abriga uma praça de alimentação, lojas de conveniência, o café Costa e um bar chamado Square One, que foi justamente onde aconteceu a reunião da sociedade. Por último, mas não menos importante, uma sala que de dia é cinema e à noite é boate.

Pós encontro da sociedade, acabamos indo para uma nova boate em Coventry, chamada Kasbah. Pouco tinha ouvido sobre essa boate. Quando chegamos lá na frente, havia muita gente, bem diferente da outra que eu tinha ido, mas tinha muita gente fantasiada. Toda sexta, quem vai fantasiado, não paga a entrada '-' É pessoal, tem gente que se presta a essas coisas (se eu soubesse, tinha ido fantasiado também) Primeira fantasia que vejo é coelhinha, depois tem uns caras fantasiados de gregos (túnica, louros na cabeça...) Acho que deu pra imaginar já. A questão é como essas criaturas chegaram lá sem uma hipotermia. 

Já dentro da boate, a fila para o cloakroom(sala onde guardam-se os casacos) já deu pra notar a vibe. Por coincidência ou não, estávamos na noite da Kinky Party, com anúncios dizendo que se você comprasse tal bebida teria chance de ganhar, digamos, brinquedinhos. A boate basicamente tinha duas partes, em uma, um ambiente mais calmo, pelo qual só entrei porque subimos pro lado errado, e o outro, o geral da mundiça, vulgo nós. Diferentemente do Carey's, tocou muita música boa e conhecida de ritmos bem ecléticos. Pra todo lado que a gente olhava tinha gente fantasiado de alguma coisa engraçado. Haviam uns 6 smurfs, todos com o rosto pintado de azul, com o gorrinho branco e tudo. Tinha todo tipo de coisa.

Tudo rolava bem, até que a boate começou a encher muito, muito mesmo. Subi para o primeiro andar, que são como que varandas, com mesas e um sofá acolchoado em volta. Era bem mais tranquilo lá em cima, então ficamos um bom tempo lá. Começou a fazer muito calor, porque eu estava com as roupas de frio, e o esquema pra sair a noite, é sair com roupa normal e passar frio na rua, senão você vai passar calor dentro da boate. Acabamos descendo, porque embaixo obviamente fica mais frio, foi quando o maldito DJ decidiu tocar música indiana. Não me entendam mal, não tenho nada contra esse tipo de música, apenas que quando eles dançam, eles levantam um braço e fica um vudum insuportável, fora isso, nada contra.

Como se já não fosse o bastante o fedor mais o aperto de uma multidão, começaram a jogar algo líquido(?) pra cima. O primeiro foi só aquele respingo d'água sobre nós, mas depois jogaram um copo completo, que felizmente não caiu em mim, mais infelizmente na pessoa que estava ao meu lado. Isso foi a gota d'água. Era hora de ir embora. 

Esqueci de citar que haviam duas dançarinas que ficavam uma de cada lado da mesa do DJ. A princípio, elas passavam despercebidas, porque ninguém fica olhando pra cima, mas depois que você nota, fica difícil de tirar os olhos. Gravei um vídeo dela dançando. Meninas, aprendam.


E o outro vídeo aqui abaixo, é o DJ interagindo com os Cov Students, Cov = Pessoal de Coventry.


Obs.: Esqueci de dizer que tocou UMA música brasileira, levemente reconhecível só que não.


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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Polite da balada pra fora" e "5 luvas"

"Polite" da balada pra fora

Terça não acabou com o trauma na comida apimentada nigeriana, o pessoal queria sair pra badalar em plena terça, e como estavam todos os bolsos cheios de dinheiro e sem coisa pra estudar, claro que todo mundo #partiu. Fomos para o Careys, uma boate. As primeiras impressões começaram nas filas. As inglesas estavam de saia, shorts curtos e vestidos curtos num frio muito grande, temperaturas que não ultrapassavam 0º. Palmas para elas por manterem a indecência mesmo no frio.


A entrada custou 4 pounds, mas tivemos que pagar um pound pra guardar os casacos. Pois é, eu nunca achei que esse dia chegaria, pagar pra guardar um casaco, mas enfim. Soquei tudo, cachecol, gorro e luvas nos bolsos e entreguei, rezando pra que na volta, nada tivesse sumido. Ah, vale dizer que o rapaz ficou me perguntando minha iniciais e eu sem entender o que diabos ele queria. Até que umas meninas que estavam atrás de mim na fila me explicaram, falando mais calmamente, dizendo ele quer suas iniciais. Daí eu entendi e falei pra ele. Elas soltaram aquele 'Ounnnnnnnn' e eu fiquei pokerface. USHASUH

Subimos para o primeiro andar, onde fica a boate em si, e vi dois ambientes, um era menor, com um bar e uma música tocada por som mesmo, e o outro bem maior, com a pista de dança, DJ e também bar. Pra galera que bebe, fizeram a festa, os preços estavam bem em conta. Estava bem lotado o local, e antes de explicar o motivo do nome desse post, devo dizer algo antes. Todos os dias, se você esbarra em alguém na rua, ou fica no caminho dela, enfim, você fala 'sorry' e recebe outro 'sorry' ou 'cheers' de volta, mesmo que a culpa não tenha sido da pessoa. Então, na balada, por estar muito cheio e apertado você esbarra nas pessoas sempre. A diferença é que parece que eles esbarravam em você pra te derrubar e não estavam nem aí. Eu não sei se é algum tipo de compensação pelo dia inteiro de 'sorry's' que eles tem, mas enfim, educação, só da balada pra fora.


Música desconhecidas. Era só o que tocava. Eu não tenho uma bagagem de músicas, tudo bem, eu conheço as mais tocadas e algumas atuais e outras que tocam bastante. Mas era bastante engraçado que a grande maioria das músicas tocadas eram totalmente desconhecidas por mim e pelos brasileiros que estavam comigo. Haviam verdadeiras horas que o DJ cortava a música pros ingleses entrarem em coro, e todos eles cantavam, e eu ficava pokerface, porque eu não sabia que porra de música era aquela. Mas enfim, tocou muito hip hop, muito. Só bem no finalzinho que veio tocar umas músicas bem conhecidas. No outro dia ainda tentei caçar algumas músicas por trechos que eu lembrava mas não achei nenhuma, senão eu botava uma aqui pra vocês terem ideia e ver se conheciam também.

Outro aspecto chato. Não sei se era efeito da bebida ou se os jovens ingleses são um pouco agressivos, mas de repente, rolou um fight do nada. Por 'do nada', entenda, em segundos um cara estava sendo socado na cara até ser derrubado no chão, então 4 caras começaram a chutar ele. É amigos só restou fazer uma coisa...


Bem assim. Mas também é aquela coisa, você fica na sua, quietinho e geralmente não acontece nada com você. Pois é, tinham me falado que as inglesas eram carentes, e que elas se jogavam nos caras porque os ingleses não são muito de dar em cima. Eu pensava 'que absurdo'. Mas é verdade. USHAUSH Não estou dizendo que todas são assim, mas enfim, a galera que dá em cima, meio que consegue fácil 'ganhar' as inglesas. Bem, isso é uma opinião, por enquanto, circunstancial. Esperemos com o tempo e vamos ver se isso é confirmado.

Já pelo fim da festa - acabou 2 horas da manhã. Cedão em comparação com as baladas normais. Minha teoria é que pelo fato de ser maioria estudantes, eles de alguma forma controlam a hora por ser uma terça e a galera ter aula no outro dia - estava morrendo de sede. Fui até o bar pra ver se comprava um água. O bar estava fechado. Não estavam vendendo mais nada. Já tinha um cara lá tentando comprar mais bebida. Então, chamei a moça que estava passando de um lado pra outro e ela de cara me falou: "O bar já fechou." Eu disse que só queria uma água. Ela pegou um copo, e encheu de água da torneira e me entregou. Talvez, boa parte de vocês que acabaram de ler isso disseram 'eca'. Não gente, aqui todo mundo bebe água da torneira. Em casa eu bebo água da torneira. A água encanada já é própria para o consumo. Demora 2 dias de sede/nojo pra você se acostumar. Mas depois você fica feliz com a economia.

Mais tarde eu viria a descobrir que ela tinha me dado um copo usado pra me dar água. Agora sim você pode dizer 'eca'. Mas enfim, o outro cara que estava lá ficou puto, porque ela 'me atendeu'. Fazer o que se eu tenho charme. Ele soltou aquele 'What the fuck?' e virou pro meu lado. Depois de ter presenciado uma briga - eita, esqueci de dizer que o segurança chegou rapidão naquela briga lá e 'salvou' o muleque e expulsou o resto. Ufa por ele - eu fiquei meio assim né? Eu falei, só pedi água cara, só água. Ele chamou a mulher de novo, e ela respondeu: "É água?". Ele: "Não, mas..." Ela não esperou ele terminar a frase pra repetir: "O bar já fechou."

No finalzinho começaram a tocar umas músicas nigerianas e essa galera de animou e começou a dançar muito estranhamente, mas enfim. Assim terminou minha noite. Catamos os casacos. Sim, estava tudo certinho lá. Um pound bem gasto. Na verdade não é opcional, a não ser que você queira ficar com um casaco lá dentro e faz calor. Nos agasalhamos e saímos. Adivinha o que o tempo imprevisível de Coventry preparou? Aquele neve especial de madrugada pra tremer seus ossinhos. :)

5 luvas

Terça de manhã é o único dia da semana que temos aula cedo. Mais precisamente às 9 horas da manhã. Pela fase de adaptação do fuso, acordamos atrasados. Ao sair de casa, encontrei um par de luvas (2) vermelhas bem no meio da rua, e pensei que a pessoa ficaria muito revoltada ao procurar o par quando fosse usar. Continuamos andando, e ao passar por um ponte, pela qual passo diariamente, encontrei mais uma luva caída (3), mas dessa vez ela estava sozinha, bege, pálida. Teria sido melhor ser perdido com seu fiel par. Em Birmingham na estação de trem, outra luva (4) havia sido esquecida no banco do trem. Ela talvez estivesse numa viagem infinita, uma busca perdida, uma jornada infundada. Talvez aguardasse apenas o momento de ser encontrada. E por fim, mas não menos depressiva, na ruas repletas de neve, encontrava-se outra luva - quinta e última - que parecia já ter se entregue a hipotermia. Já havia aceitado seu fatídico destino.