quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Quem é Berlim?


Nome: Berlim/Berlin
País: Alemanha/Germany
Língua Oficial: Alemão
Moeda: Euro


Berlim era a típica criança mimada que já tinha tudo e mesmo assim queria mais. E por ter crescido com esse pensamento ganancioso, mais tarde acabou atraindo muitas más influências. Até teve seu período de sucesso (seja lá o que isso significasse) depois de passar por cima de muita gente, mas ainda assim queria mais. Tudo iam bem até que foi mexer com um grupo de valentões achando que ia se dar bem nessa disputa, mas acabou levando um surra das boas e todo o castelo de antigas conquistas revelou-se tão sólido quanto um de areia em maré alta. Humilhada, e sem forças pra se erguer sozinha, acabou recebendo uma ajuda forçada daqueles que um dia à trouxeram ao chão, com a promessa de que Berlim voltaria ao curso correto.

Como todo pai diria ao defender seu filho: "Coitada, não julguem assim tão mal alguém que por inocência confiou nas pessoas erradas." Claro que podemos encontrar pelo menos seis milhões de opiniões que divergem desta. Alguns anos depois, essa 'criança' talvez já pudesse caminhar sozinha com as próprias pernas, e com sorte faria melhores escolhas, mas pra que não ficasse dependendo só da sorte, quatro caridosos tutores de bom grado se ofereceram para compartilhar uma guarda. Dois destes tinham opiniões bem divergentes de que rumo Berlim deveria tomar, e esta acabou dividida sem saber para onde ir.

O clima foi esfriando e Berlim foi amadurecendo em alguns pontos mais do que outros, muitas vezes sem entender como havia chegado nessa situação em que duas partes de um só eram tão opostas. Determinada à reunir-se, com consciência própria derrubou um muro de limitações, alcançando algo que chamavam de independência. 

O importante é que Berlim deixou o que passou para trás, ou pelo menos tentou. Definitivamente tem muita história pra contar, mas prefere falar da orgulhosa juventude ao invés das travessuras da infância. Se você chegar a conhecê-la, verá que é inevitável não reparar nas cicatrizes que a marcam, em especial naquela vagamente circular. Porém, depois de um tempo, talvez você deixe de lembrar quem ela foi e comece a concentrar-se em quem ela está tentando ser.

Berlim é uma cidade em conflito, uma constante batalha entre o velho e o novo, pois mesmo depois de todo esse tempo, ainda não conseguiu se reerguer totalmente. O que um dia foram feridas de guerra, hoje são parte de Berlim totalmente novas em folhas. Uma colcha-de-retalhos em síntese. Isso é Berlim. Redimida. Prestando homenagens àqueles afetados por suas ações. Mas todo mundo merece uma segunda chance, não? 

Bem, eu sou Berlim. Prazer em te conhecer.

Chegando de trem em Berlim partindo de Amsterdã

O trem para Berlim foi bem lotado. Na verdade, não vi sequer um assento livre. Comprei o ticket pelo site Hispeed (https://treintickets.nshispeed.nl/) e me custou 39 euros. A ideia era que o trem durasse 6 horas e 20 minutos, mas acabou virando 7 horas e 35 minutos. Foi interminável, eu estava entediado, então recomendo levar algo para fazer, tipo um livro, ou um troço pra capotar e dormir. O trem saia da estação Amsterdam Centraal e chegava na estação Berlin Hbf. A estação de Amsterdã não tem mistério, como falei na postagem passada. A de Berlim é enorme, mas é conectada a um sistema de metrô. Supostamente havia um cara que deveria nos ajudar lá, mas ele nos deixou na porta de entrada do metrô e se mandou. Ele era muito enroladinho, coitado.

Felizmente haviam uns guardas que ajudaram a comprar o ticket na máquina, já que havia muitas opções. Como era só uma direção, o ticket Berlin AB 120 min basicamente te permite que circule nas zonas A e B nessa quantidade de tempo. Custou 2,40 e compramos numa maquininha já na plataforma do metrô. Antes de entrar tem que validar numa espécie de máquina que fica ao lado dessas onde se compra o bilhete.

Hostel

Depois de andar um trecho do metrô à pé porque estava em reforma, chegamos na estação indicada pelo City Hostel Berlin que não era a melhor para chegar no hostel. A estação era bem pequena, até porque lá em Berlim a cada quarteirão tem uma estação, então nessa não tinha mapa nem nada, nós não tínhamos internet e não fazíamos ideia de como chegar no hostel. Lá fui eu mendigar ajuda nas ruas de Berlim e ninguém sabia onde ficava a rua, ou simplesmente ajudava, até que bem na 5º tentativa uma alemã tirou o celular do bolso e procurou no google maps. Estávamos bem próximo ao hostel, mas sem ajuda nunca conseguiríamos chegar.

O hostel tem uma estrutura de hotel, mas as paredes entres os quartos são bem finas. As camas e os quartos são confortáveis e organizados. Os banheiros são escassos e invasivos. O café da manhã era bom. A internet também era boa. Valeu o preço que pagamos.

Roteiro

Nem adianta dizer que começo minha viagem no Free Walking Tour. Outra vez foi do Sanderman's. Se alguém estiver interessado, começa as 11 am ou 2 pm no Brandenburg Gate. O FWT cobre Pariser Platz, The Brandenburg Gate, The Reichstag, The Memorial to the Murdered Jews of Europe, The Site of Hitler’s Former Bunker, Luftwaffe HQ, The 17. June Memorial, The Berlin Wall, The Former SS Headquarters, Checkpoint Charlie, The 1920s Cabaret Mile, Gendarmenmarkt, Bebelplatz, The Old Royal Boulevard, Neue Wache, The TV Tower, Museum Island.

Pariser Platz e The Brandenburg Gate

O tour começou me ensinando como é séria a rixa entre a Alemanha e França. Quando Napoleão invadiu Berlim decidiu humilhar a cidade e tomar essa escultura que fica em cima do portão e levar para Paris. Dessa forma, a cidade seria eternizada pela derrota, porém antes dele conseguir concretizar tal plano foi derrotado na Batalha de Waterloo e Berlim reouve sua estátua. Estranho então a praça de chamar Pariser e mais ainda ter uma embaixada francesa nela.

A estátua trata-se da deusa da vitória, e na forma alemã de 'amar' a França decidiram trocar o nome dessa praça para Pariser Platz, para que a deusa da vitória estivesse sempre acima de Paris. ~profundo e vingativo~ Como se não bastasse, quando remontaram a estátua, surgiu um rumor de que a cabeça da deusa teria sido virada em direção à embaixada francesa. Eu como grande curioso especulador notei que realmente ela outra pra embaixada, só não sei se foi posta dessa maneira com esses objetivos.

Eu vim aqui a noite só pra tirar uma fotinha :)
The Memorial to the Murdered Jews of Europe

Depois do holocausto, obviamente a cidade de Berlim deveria arrumar um memorial digno a todos os judeus mortos, e assim o fizeram. Só que esse memorial é bem diferente daqueles que geralmente vemos por aí. O arquiteto Peter Eisenman criou essa obra porque queria que ela não passasse despercebida como geralmente acontece com contruções de objetivos semelhantes. Não precisou muito esforço criativo pra criar, eu acho, porque são basicamente blocos cinzas dispostos paralelamente mas que é algo genial. Não é lindo, não é extravagante, mas na minha concepção é perfeito para o objetivo designado.


Garanto que quem passa do lado não deixa de notar, seja pela milésima vez e se não conhece começa a se perguntar o que é aquilo. Se conhece com certeza começa a lembrar de toda a infeliz tragédia. Ou seja, objetivo accomplished. Eu sou fã de coisas simétricas e de formas geométricas, nem preciso dizer que foi um dos pontos mais interessantes da cidade para mim.

Vista da bandeira da embaixada americana e do parlamento alemão.
The Site of Hitler’s Former Bunker

Na diagonal do memorial à cima, fica o lugar em que Hitler suicidou-se. A menos que você saiba onde é e o que procurar, você talvez passe por esse lugar mil vezes sem saber o que aconteceu algumas décadas atrás. Por todo o "legado" de Hitler (na falta de uma palavra melhor), os alemães foram extremamente espertos e não deixaram um rastro sequer para que os ainda seguidores do nazismo pudessem de alguma forma reverenciar essa criatura que um dia teve seus pés na Terra. O lugar onde Hitler morreu é um estacionamento qualquer da cidade, mais um ordinário local onde as pessoas deixam seus carros e sua maior preocupação é encontrar um sombra de árvore.  

Checkpoint Charlie

Uma rápida introdução histórica. Pós segunda guerra, a Alemanha estava dividida, e Berlim também estava dividida. Só que o pedaço de Berlim que pertencia aos EUA ficava no pedaço da Alemanha que pertencia à União Soviética. Para ter acesso dessa 'ilha' com a parte da Alemanha que pertencia aos EUA, havia uma estrada que ligava ambos os territórios. Para medir a legalidade daqueles que queriam atravessar as fronteiras criaram os Checkpoints que são 3, cada uma com uma letra do alfabeto fonético da OTAN, o primeiro A (alpha), o segundo B (bravo) e o terceiro C (charlie).

Com isso já esclarecemos que essa placa ao lado do Checkpoint não é o Charlie como tem turista que se confunde. Eles colocaram de cada lado da placa um soldado vigiando o outro lado, apenas para simbolizar.


A famosa placa que avisa que você está entrando no território do
USA se estivesse indo naquela direção. claro.
Vista da sacada do Mc Donalds.
Pshiiiiiii. Tô escapando do Obama. OH WAIT...

Gendarmenmarkt

Há quem diga que essa é a praça mais linda da cidade. Ela é bem antiga e contempla o Konzerthaus (Casa de Concertos), Französischer Dom (Catedral Francesa), e Deutscher Dom (Catedral Alemã). Fica bem no centro da cidade e é fácil de chegar, com vários bares e restaurantes ao redor. Se você for no Natal em Berlim é lá que ocorre a feira de natal. Dizem que vale a pena.


Konzerthaus
Konzerthaus
Französischer Dom
Französischer Dom
Deutscher Dom
Bebelplatz


Essa praça - estou assumindo que você já sacou que platz significa praça - abrigou um dos mais tristes e simbólicos eventos nazistas onde 20.000 livros foram queimados por serem considerados inapropriados, nessa época a faculdade Humboldt era nazista, assim como todas as outras universidades. Após esse evento, foi construído um monumento na praça que é basicamente uma biblioteca subterrânea que chega ao solo através de um vidro e que poderia abrigar 20.000 livros, porém tem apenas prateleiras vazias. Mais um 'memorial' bem significativo. O mais intrigante é que tem uma epígrafe de uma obra de Heinrich Heine de 1820: "Das war ein Vorspiel nur, dort wo man Bücher verbrennt, verbrennt man am Ende auch Menschen" ("Aquilo foi somente um prelúdio; onde se queimam livros, queimam-se no final também pessoas"). Reflitam.


Mais uma vez Berlim tenta se redimir. A universidade que um dia organizou uma queima de livros, organiza uma venda de livros de alguma forma compensando.

Feira de livros da Humboldt University.


Museum Island

Como o próprio nome diz é uma ilha de museus. Uma 'ilha' porque o rio que passa em Berlim corta um trecho de terra em ambos os lados, formando um ilha. Lá ficam os museus mais importantes da cidade, então caso você esteja interessado nisso, já sabe pra onde ir.

Aparenta ser antigasso, mas tem uns 100 anos só.
Projetado pelo mesmo cara que projetou o Louvre.
The Reichstag

Saibam que pra subir nesse domo que fica no Parlamento Alemão é de graça o/ Isso mesmo. Na manhã do FWT o guia falou que era só entrar no site e agendar. Corri no site e vi que na manhã que a gente ia embora tinha uma vaguinha logo cedo, e fui! Tem até audio guide, tudo de graça e a estrutura é sensacional. Vocês podem se registrar aqui (https://visite.bundestag.de/BAPWeb/pages/createBookingRequest.jsf?lang=en). Eu achei bem legal, a vista é excelente e é de graça meu povo. 

Sabe porque esse domo existe? Ele é basicamente uma metáfora viva pra afirmar que a política alemã agora é tão transparente como o domo que cerca a estrutura. O domo fica diretamente acima da sala de parlamentares, e é como se um dia eles esquecerem quem os colocou eles ali basta olhar pra cima. :) Aí vai uma verdadeira sessão de fotos. 








Atrações fora do centro que valem a pena serem visitadas

Mesmo esquema. Vi tudo que dava pra ir a pé e chegou a hora de comprar um day ticket.

East Side Gallery


Quando Berlim oriental era cercada pelo muro, todo mundo queria derrubar, só que agora o que sobrou dele, todos querem preservar e por certos motivos. O espaço foi cedido a artistas que usaram os muros como telas, e mais que isso, numa forma de se expressar através disso. A East Side Gallery é um dos pedaços do muro que estão mais bem conservados. Aqui vão algumas das que mais gostei.




Alterada via Instagram pra virar minha predileta. :3
Elefantentor Zoologischer Garten Berlin 

Fui nesse zoológico só pelo portão, acreditam? Não tem nem o que explicar, a não ser que é o portão dos elefantes.



Olha a minha guitarrinha aqui!
Eu sendo eu. Pode?
Molecule Man

Essa seria uma escultura qualquer sem significado se ela não fosse também tão estranhamente legal. Dois caras no meio do rio meio que lutando. Valeu a pena ver. Notem ao fundo à esquerda um ponte, e à direita a Torre de TV.



Oberbaumbrücke

Essa é a ponte da foto acima. Antes de qualquer significado, eu adorei essa ponte à uma primeira vista por ser tão atípica. Ela é muito diferente e bonita ao mesmo tempo. Se o rio não tivesse cara de ser tão sujo eu até teria me aventurado a montar numa canoinha e me jogar nessas águas. sqn A ponte é um símbolo da união entre as duas Berlins que um dia foram separadas por um muro.


Coisas Aleatórias:

Essa tampa de bueiro era legal.
Não faço ideia do nome disso e nem o que seja, mas se tiver um email pra
mandar e for esse nome inteiro, melhor ir pessoalmente.
Achei mais um irmão do Urso que eu vi lá em Brastilava. Quem lembra?

Victory Column

Pra terminar com uma das atrações mais rápidas e intensas, escolhi a Victory Column. Começa prestando atenção na foto abaixo e veja que até chegar na estátua, a coluna tem quatro blocos. A cada vitória eles acrescentavam um bloco nessa coluna. Engraçado que o quarto bloco foi adicionado para representar a segunda guerra mundial, claramente antes da guerra acabar. Hitler estava tão confiante que iam ganhar que decidiu mandar acrescentar logo.


Se você pudesse chutar pra que direção do mundo essa estátua da vitória olha, que lugar você chutaria? Se respondeu França, acertou. Mais um indício da rixa entre os dois países. 

Vista do Reichstag

A questão é que é possível subir nessa coluna e eu cheguei lá faltando 10 minutos pra fechar. (Tem desconto pra estudante) A mulher não sabia falar tanto inglês, então escreveu num papel monstrando essa informação num papel, mas mesmo assim comprei o ticket, porque seria a minha única oportunidade. São 285 degraus, e a subida foi infinita embora eu subi correndo desesperado. Juro. Eu tava tonto, perdido, porque subi olhando pros meus pés/degraus com medo de cair. A máquina tava pendurada no meu pescoço porque eu não tive tempo de guardar, mas quando eu subi, só precisou eu achar essa vista pra pensar que tudo valeu a pena!


Eu precisei escrever essa postagem pra realmente entender o quanto eu gostei de visitar Berlim. Espero que tenha inspirado alguém ao menos a também ir lá. Abraço.

Confira outros destinos na seção Já fui.

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