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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Manual do Intercambista - Dicas pro IELTS

Visto que o abriram mais editais pro Ciências sem Fronteiras agora e vão haver centenas de estudantes desesperados se perguntando e me perguntando o que é IELTS, como eu fiz pra passar, como é a prova, como eu estudei, e perguntas desse tipo, resolvi fazer esse post tutorial sobre todas as informações que eu consegui recolher pra ajudá-los nessa fase inicial desse longo processo que vai vir pela frente. A primeira coisa que eu gostaria de deixar claro é que entender o estilo da prova é fundamental, porque o segredo de tudo é se adaptar à esse estilo e trabalhar as melhores abordagens (aquelas que funcionem pra você) a fim de que você consiga tirar o máximo do teste.

O que é IELTS?

Internacional English Language Test System, ou seja, é uma exame de proficiência que serve pra medir seu inglês. 

Para qual tipo de IELTS eu devo me inscrever?

Você deve saber que há dois tipos de IELTS: General Training e Academic. O General Training é usado pra quem vai emigrar pra algum país em busca de trabalho, enquanto o Academic é pra quem pretende fazer intercâmbio, que é o nosso caso.

Quanto custa?

Na minha época custava 440,00 mas agora tá mais caro e custa 500,00. Isso se chama muita procura pra pouca oferta. Vamos botando a mão no bolso dos pais.

Onde é que eu posso me inscrever?

A inscrição que eu fiz foi online. Realmente não sei se você pode ir direto no centro fazer lá, mas enfim, o link pra inscrição online tá aqui.
Link: http://takeielts.britishcouncil.org/book-your-test/book-now

Como é o formato do IELTS?

O IELTS testa quatro componentes/bandas: Listening, Reading, Writing e Speaking. A sua nota vai ser a média entre as quatros notas que você conseguir em cada banda. As notas vão de 0 (caso você não compareça, pois se você comparecer ganha 1, olha que útil o/) até 9. Se eu não me engano o edital do UK exige que você consiga pelo menos 5,5 em cada banda do exame para intercâmbio sem curso de inglês, e 4,5 com curso de inglês.

Quando eu tenho acesso ao meu resultado?

Você tem acesso online ao seu resultado em 13 dias corridos e em 20 dias você recebe seu resultado pelo correio.

Speaking

Skills assessed: A wide range of speaking skills is assessed, including the ability to communicate opinions and information on everyday topics and common experiences and situations by answering a range of questions; the ability to speak at length on a given topic using appropriate language and organising ideas coherently; and the ability to express and justify opinions and to analyse, discuss and speculate about issues.

O Speaking é feito através de uma entrevista individual com um entrevistador e é geralmente feita antes da prova escrita que testa o resto das bandas. Sua duração é entre 11 e 14 minutos como vocês vão entender pelas seções que vem a seguir. O speaking segue 3 partes:

Parte 1 Introduction and interview (4-5 minutes)
The examiner introduces him/herself and asks the candidate to introduce him/herself and confirm his/her identity. The examiner asks the candidate general questions on familiar topics, e.g. home, family, work, studies and interests.

Ou seja, essa é a parte mais simples do exame, onde seu inglês ainda está na zona de conforto, pois é um inglês básico que não exige muito de você, afinal você estará falando de você mesmo, ou seja, território conhecido. O teste começa justamente por essa parte pra funcionar como um "ice breaker" e te deixar mais relaxado pra próximas seções que vão te fazer pensar um pouco mais. Essa seção é aquela que dá pra você ir muito bem, principalmente por ser a mais fácil de treinar.  

Part 2 Individual long turn (3-4 minutes)
The examiner gives the candidate a task card which asks the candidate to talk about a particular topic and which includes points which the candidate can cover in their talk. The candidate is given 1 minute to prepare their talk, and is given a pencil and paper to make notes. The candidate talks for 1-2 minutes on the topic. The examiner then asks the candidate one or two questions on the same topic.

Bem, aqui a brincadeira começa a ficar mais séria. Até onde eu sei o tema a ser definido é de escolha "livre" do entrevistador, então basicamente você tem que rezar pra que a pessoa que vai estar aplicando a prova alivie pro seu lado e escolha algo razoável. Por exemplo, no dia anterior ao meu, o tema da minha amiga foram paisagens naturais. Ele pediu pra ela descrever uma paisagem natural que ela tinha vontade de conhecer. No meu caso, meu tema foi crescimento urbano, e se eu não me engano eu tinha que explicar o porquê e as consequências. Nessa parte provavelmente vai ser algo mais descritivo, que você tenha que fornecer detalhes sobre alguma coisa, e como é algo que depende totalmente da sua opinião, você pode criar, ou mentir à seu favor, contanto que a resposta esteja dentro da pergunta. 

Part 3 Two-way discussion (4-5 minutes)
The examiner asks further questions which are connected to the topic of Part 2. These questions give the candidate an opportunity to discuss more abstract issues and ideas.

Aqui pra mim é a parte mais chata do Speaking em que eles estão basicamente testando seu "range" de vocabulário. No meu caso, as perguntas foram bem parecidas, embora mostrassem focos diferentes. Se seu vocabulário não é muito amplo - como aconteceu comigo - a gente fica dependendo dos mesmos verbos pra nos expressarmos, e provavelmente perderemos pontos por isso. É aqui também que ele vai testar a sua articulação na hora de formular uma opinião e de exprimir suas ideias.

Obs.: Caso você não entenda a pergunta do entrevistador, não há problemas em pedir pra repetir a pergunta. Até onde eu sei, não haverá decréscimo na pontuação por esse motivo.

Como estudar pro Speaking?

- Ensaiar a Parte 1 como eu já disse, pois ela é bem clássica.
- Se você não está cursando inglês atualmente, procure rodas de conversação, procure chats online que tem estrangeiros, pega um amigo que é próximo seu e que você não tenha vergonha pra conversar, ou seja, SPEAK UP! Não tem outro jeito pra treinar que não falando.
- Pro meu caso, eu geralmente abria sites aleatórios, ou pensava em temas aleatórios e começava a falar sozinho porque eu sou desses maníacos que você passa na rua e vê falando sozinho. Aproveitei essa mania interessante minha pra treinar meu speaking porque sim.
- Pegar um livro interessante em inglês e ler em voz alta funcionou pra mim também, principalmente pra treinar minha articulação, meu ritmo de fala, as pausas e etc. Pra quem fala rápido, o ideal é que se acostume a falar um pouco mais devagar, porque se você tiver aquele "branco" e não lembrar aquele conectivo ou aquela palavra que sempre some no momento que você mais precisa, o tempo que você para pra pensar num sinônimo ou numa rota alternativa de pensamento não vai ficar tão aparente se você falar num ritmo mais lento, enquanto que se você fala rápido vai ficar bem notório, e não esqueçam que fluência com certeza é um dos critérios que está sendo avaliado.
- Eu escrevi centenas e centenas de conectivos que o inglês possui e fui aprendendo a usar vários deles que eu não conhecia pra treinar tanto pro speaking como pro writing, pois a articulação pela aplicação deles é importantíssima, então aconselho fazer isso também.
- Grave você falando. Isso vai te ajudar a reconhecer seus erros de pronúncia, talvez algum vício linguístico que você desconheça.

Listening

Então, o listening tem 40 questões e o tempo é de mais ou menos 30 minutos que vai ser dividido em partes, então você não tem muito como controlar. O áudio vai te dizendo quanto tempo você vai tendo pra cada seção e se eu não me engano no fim tem 10 minutos pra transferir as respostas (e chutar o que você não escutou. Acredite em mim quando eu digo CHUTAR porque é escolher uma palavra/número/letra dentre o vocabulário inglês todo)

A variety of question types is used, chosen from the following: multiple choice, matching, plan/map/diagram labelling, form completion, note completion, table completion, flow-chart completion, summary completion, sentence completion, short-answer questions.

Test Parts: There are 4 sections
Section 1 is a conversation between two people set in an everyday social context (e.g. a conversation in an accommodation agency)
Section 2 is a monologue set in an everyday social context (e.g. a speech about local facilities or a talk about the arrangements for meals during a conference)
Section 3 is a conversation between up to four people set in an educational or training context (e.g. a university tutor and a student discussing an assignment, or a group of students planning a research project)
Section 4 is a monologue on an academic subject (e.g. a university lecture)

Que eu saiba, não tem como se preparar pra cada seção que não pegando provas e fazendo. Eu só sei que, ao meu ver, o nível de dificuldade vai aumentando a medida que a prova vai se encaminhando pro fim, porque as primeiras respostas são números, palavras básicas, nomes soletrados... E no fim na seção quatro são coisas de um assunto mais específico. Minha seção 4 eu lembro bem que foi sobre fósseis, escavações. Seção 3 foi sobre um projeto arquitetônico.

Each section is heard once only
A variety of voices and native-speaker accents is used.

Pois é, cada áudio, digo cada seção, só passa uma vez. Antes do áudio da seção começar ele vai dar um certo período de tempo (que não é muito) pra você dar uma "lida" (vulgo dar uma olhada por cima nos pontos principais) e logo já começa a conversação.

Sobre as vozes podem ser japoneses, indianos ou próprios britânicos falando mas qual deles vai ser não é possível saber.

Como estudar pro Listening?

- Minha recomendação inicial e geral é que você deve assistir séries sem legenda. Acho que é improvável que você caro leitor que está lendo isso, aqui e agora, não assista séries. Então, pegue suas queridas e amadas companheiras de momentos de não-estudo e transforme em tempo útil. No começo vai ser um saco, eu confesso, tem pedaços de temporadas que até hoje eu não entendo muito bem o que foi que aconteceu porque eu não tinha paciência pra assistir com legenda de novo depois, porém a gente tá numa situação de make-or-break. Então vale o sacrifício. Vai ser bom pra adaptar seu ouvido a prestar atenção mais no que se fala do que ler o que tá passando na legenda.
- Me aconselharam também a ouvir rádios da BBC qualquer hora, qualquer dia, qualquer lugar.
- Pra estudar pro Listening do IELTS só fazendo provas que estão pela internet esperando pra ser descobertas mesmo. (Vou colocar uns links no fim do post)
- Vocês vão perceber que no começo é bem fácil perder algumas respostas porque elas passaram por você sem perceber e pior, por ficar esperando aquela respostas você vai perdendo outras, então o segredo vai ser basicamente prestar MUITA ATENÇÃO no listening e ter um certo timing pra desistir daquela resposta e partir pra próxima. (Mesmo eu estando ciente disso, eu perdi umas 3 respostas na prova no dia que eu fiz pra vocês entenderem como isso é fácil de acontecer)
- Vocês também vão perceber na prova que eles repetem certas sentenças pra te fazer confundir na resposta. Em certos momentos algo é afirmado, e logo em seguida a pessoa do áudio larga um sorry e diz que se confundiu e passa a resposta correta. Então cuidado pra pegar a informação certa, porque quando no áudio estão "corrigindo" a resposta, você tá no papel passando a primeira resposta e nem ouvindo.
- Outra coisa interessante é ter em mente um resumo de tudo que foi falado nas conversas porque eventualmente você vai ter que chutar uma resposta e sem um contexto fica bem difícil, caro amigo.
- Um segredo é saber gerenciar aqueles segundos iniciais que você tem pra ler as questões antes do áudio da seção começar. Você tem que decidir se vai usá-lo pra dar uma olhada geral nas perguntas ou se vai ler as primeiras perguntas mais especificamente, ou então as últimas que são mais complicadas... Bem, mas isso fica à seu critério. Suit yourself.
- E outra, se você acaba de responder rápido as perguntas da seção, dá pra começar a olhar as questões da próxima seção mesmo antes do áudio mandar você fazer isso (embora seja difícil porque geralmente você tá lá chutando respostas que você não marcou).
- Outra coisa que eu lembrei. Lá no listening tem umas seções que ele vai dizer NO MORE THAN TWO WORDS. Então nesse exemplo, obviamente as respostas serão no máximo com duas palavras, mas as vezes a expressão que você ouviu tem 3 ou 4, porque inclui preposições, então é necessário muita atenção pra não passar isso pra folha de respostas.
- Ainda nesse critério, QUALQUER erro na palavra, seja uma letra a mais ou a menos é classificada como erro. Não tem perdão. :(

Reading

Olha chegamos na parte mais feliz do teste que é o reading. Geralmente a maioria das pessoas tem facilidade com o reading porque a informação tá ali na sua frente e você tem que basicamente interpretá-la. Você vai ter 60 minutos, já incluso o tempo de passar as respostas pro gabarito, pra ler 3 textos e responder 40 questões sobre eles. Assim como no listening, os tipos de questões variam e pra conhecer elas só pegando um teste mesmo. Adianto que as piores são as que dão resumos de parágrafos e te pedem deixá-los em ordem. 

Test Parts: There are 3 sections
The total text length is 2,150-2,750 words
Each section contains one long text. Texts are authentic and are taken from books, journals, magazines and newspapers. They have been written for a non-specialist audience and are on academic topics of general interest. Texts are appropriate to, and accessible to, candidates entering undergraduate or postgraduate courses or seeking professional registration. Texts range from the descriptive and factual to the discursive and analytical. Texts may contain non-verbal materials such as diagrams, graphs or illustrations. If texts contain technical terms, then a simple glossary is provided.

Então, os textos são ~aleatórios mas são de fácil entendimento, porém de tópicos não-tão-interessantes assim as vezes. Reading de longe é a prova mais fácil de treinar e é a que pode te dar uma média bem boa pra compensar a lapada nas outras bandas. Então sem muitos arrodeios, vamos às dicas. 

Como estudar pro Reading?

- Ler é sempre bom né? Sites de notícia, livros, letras de música, rótulo de produtos importados (esse último pros ricos).
- Eu fico repetindo essa questão de "approach" mas é porque eu acredito que cada um tem uma forma pra se dar melhor. Tem gente que não lê os textos inteiros, faz um leitura superficial e marca parte que pareçam importantes. Tem gente que lê o texto todinho e depois vai pras questões. Eu, particularmente, lia as questões bem por cima pra ter mais ou menos uma ideia do que iria ser perguntado, porque pra mim fica mais fácil identificar depois.
- O reading mais uma vez gira em torno do gerenciamento de tempo. Bom ficar de olho no relógio pra não perder muito tempo num texto, nem esquecer de passar as respostas pra o gabarito.

Writing
Tasks: There are 2 tasks
Candidates are required to write at least 150 words for Task 1 and at least 250 words for Task 2
Timing: 60 minutes

Então chegamos na parte mais desafiadora, na minha opinião. Uma hora pra interpretar, escrever e revisar dois textos que somados devem dar pelo menos 400 palavras é pouco, logo exige bastante treino. Vamos lá às duas tasks que temos que escrever.

Test Parts: There are 2 parts
In Task 1, candidates are presented with a graph, table, chart or diagram and are asked to describe, summarise or explain the information in their own words. They may be asked to describe and explain data, describe the stages of a process, how something works or describe an object or 
event.

Nessa primeira task há uma vocabulário bem específico de verbos pra descrever gráficos que eu não era muito familiarizado. Na verdade, tem um vocabulário "melhor" pra cada tipo de estrutura, e isso tem que ser pesquisado, definido e aprendido. Algo importante aqui é lembrar que seu trabalho é apenas DESCREVER logo não se deve emitir nenhum tipo de opinião.

In Task 2, candidates are asked to write an essay in response to a point of view, argument or problem. The issues raised are of general interest to, suitable for and easily understood by candidates entering undergraduate or postgraduate studies or seeking professional registration.
Responses to Task 1 and Task 2 should be written in a formal style

Já aqui nessa segunda task você perde toda sua imparcialidade. Lembro que o tema da minha task 2 foi sobre "O poder de influência de famosos sobre os adolescentes". Basicamente ele queria que você dissesse se você achava que era bom, ou ruim, ou ambos, enfim, falasse sobre isso.

O recomendado é que você passe 20 minutos escrevendo a primeira task e 40 minutos na segunda. Sabe-se também que a Task 2 vale o DOBRO da Task 1.

Como estudar pro Writing?

- Primeira recomendação. Como eu acabei de falar ali em cima, como a Task 2 vale o dobro da Task 1 seria interessante começar pela Task 2, afinal na pior das hipóteses se você não conseguir acabar a Task 1, pelo menos você tem chance de conseguir 2/3 dos pontos.
- Prática, prática, prática. Sim, esse é o pior que tem de treinar porque tem que sentar a bundinha na cadeira, pegar os temas e sair escrevendo, mas sério, deem atenção porque sem prática fica difícil render o suficiente em 60 minutos, como eu já afirmei, que acho beeeem pouco. Eu mesmo terminei a Task 1 correndoooo. Inclusive eu me confundi nos gráficos e saí correndo pra trocar o nome das coisas, e no fim ficou um espaço em branco que eu apaguei e não consegui reescrever --' Mas sobrevivi.
- Como eu também disse ali em cima, seria bom descobrir um vocabulário específico pros gráficos, tabelas, e afins. Eu fiz um resumo disso num caderninho, porém emprestei pra uma amiga que vai estar fazendo o IELTS senão eu criaria coragem e escreveria aqui. Mas eu catei isso basicamente no Road to IELTS que eu vou falar mais ali embaixo.
- Não adianta escrever as Tasks se você não arranjar quem corrija, afinal você precisa ter erros pra saber o que tá fazendo de errado.
- Atentem ao limite MÍNIMO de palavras. 150 pra primeira, 250 pra segunda. Pra não ter que contar quantas palavras eu tinha escrito no fim (embora eu tenha contado por insegurança) eu meio que depois de escrever muitas task fiz uma média de quanto eu escrevi mais ou menos por linha e por parágrafo. Cada letra varia, então sua média é diferente. Daí se você escrevesse acima de uma certa quantidade de linhas mais uma margem de erro com certeza teria superado o limite esperado. Funcionou pra mim. Sim, eu sou de engenharia e faço essas contas porque sim.

Road to IELTS

O British Council oferece um software, por assim dizer, que tem uns exercícios assim como ótimas e excelentes dicas pra cada área do exame. Se você não fez sua inscrição ainda, você tem 10 horas com recursos limitados, porém no momento que sua inscrição é confirmada, você tem 20 horas de acesso ilimitado com muito vocabulário, questões e enfim, tudo que você precisa. Eu tirei vocabulário pro Speaking, e Writing tudo daí, basicamente, pra vocês terem uma ideia.
Link: http://www.britishcouncil.org.np/exam/ielts/courses-resources/road-ielts

Caso vocês estejam curiosos minhas notas no IELTS foram:
Speaking: 6,0 Writing: 6,0 Listening: 6,5 Reading: 8,0 Overall: 6,5

Com meu 6,5 e banda mínima de 6,0 eu podia aplicar pra qualquer universidade disponível no meu edital, o que me deixou extremamente feliz. Bem, desejo à vocês boa sorte, e se tiverem mais dúvidas deixem aí nos comentários que se eu souber responder, eu responderei, ou então perguntem no Ask.fm. Deixo uns links interessantes abaixo que valem a pena ser conferidos que tem exemplos de provas e informações interessantes.

As informações sobre o estilo de prova foram tirados desse arquivo. Lá tem inclusive, anexado, as folhas de gabarito pra terem ideia do formato.

Booklet: http://takeielts.britishcouncil.org/sites/default/files/Information_for_Candidates_booklet.pdf

Leitura aconselhada:

Em todos esses sites tem algumas provas do IELTS, e não deve ser difícil de encontrar mais provas internet afora.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

10 coisas que eu aprendi viajando por 17 países

1 - Nunca subestime um destino

Aconteceu comigo exatamente duas vezes. A primeira foi quando eu planejei minha viagem pro Leste Europeu. BratislavaBudapeste e Vienna. Dessas três cidades, acredito que a maioria de vocês talvez desconheça Bratislava, a capital da Eslováquia. Bem, eu também desconhecia, logo assumi que por não ser muito famosa não teria muito o que fazer, e que eu poderia descansar mais lá pra aproveitar mais nas outras. Errado. Bratislava está praticamente no nível das outras duas cidades, e por não ser tão famosa não está lotada de turistas, logo parece mais natural, e é uma viagem muito mais tranquila.




A segunda vez foi no Mochilão de Verão na Europa. Por ser uma viagem enorme (Bruxelas, Amsterdã, Berlim, Praga, Warsaw, Roma, Cidade do Vaticano, Florença, Pisa e Milão... Até de escrever, eu já cansei) eu até meio que tive que escolher um destino pra ter uma viagem mais calma e descansar, porque mochileiro viajando significa andar muito, dormir pouco, sofrer bastante porém ser agraciado com uma excelente viagem. Dessa lista aí, Warsaw tava bem no meio e vinha logo antes da Itália que tinha tudo pra ser fantástica. Quando eu cheguei em Warsaw, eu tava com dor de garganta, minhas pernas já tinham desistido de mim e eu realmente precisava descansar, mas sabe o que aconteceu? Errei de novo. Warsaw é simplesmente fantástica, e com certeza um dos melhores destinos que eu visitei. Ou seja, fui numa farmácia, comprei um remédio à base de mímica e sobrevivi pra contar a história.




Quando esse dilema me veio à ocorrer uma terceira vez, já nem me equivoquei e deixei de subestimar destinos. Cada local tem sua cultura única, seu modo de viver, sua culinária e é sempre tão próprio que mesmo que você não goste, você aprende a respeitar e dar o devido valor. E além do mais, quanto menos expectativa você reserva pra um destino desses, mais você se surpreende e descobre (e em geral, fica feliz em saber) o quanto estava errado!

2 - Viajar é muito mais fácil do que você pensa

Hoje você em casa consegue resolver muita coisa de casa como comprar passagem, reservar hotel, fazer roteiros, conhecer lugares... Tem muita informação. Então pra quem é inseguro, tipo eu, dá pra ficar bem seguro com as pesquisas e com as experiências de outras pessoas, porque você pode prever problemas e se preparar pra eles ou evitá-los. Existe sim dificuldade pra alguns lugares, mas nunca é tão complicado quanto se pensa. Quanto mais aleatório o lugar, mais divertido pode ser.


(Oslo)


3 - Não tenha medo de experimentar

Sabe aquilo que teus pais falam pra tentar te convencer a comer os legumes do prato? "Se você não provar, não vai saber se gosta ou não!" E por mais que a gente não queira admitir, muitas vezes julgamos pela aparência, não só comida, mas muitas outras coisas. Eu prometi pra mim mesmo que enquanto eu estivesse viajando eu ia provar de tudo que desse de cada lugar. Eu acho que cumpri minha promessa, com raras exceções que o dinheiro limitou hahaha Porém eu gostei de muitas comidas, como Waterzooi em Bruxelas, umas Batatas com Frango magníficas no deserto de Marrakesh, e Travesseiros em Sintra - Portugal. Aí você diz, aposto que foram opções fáceis e a comida parecia ser deliciosa, e eu te digo, verdade.



Porém, ainda em Marrakesh, eu passei pela minha prova de fogo. Um inglês que eu conheci por lá, me chamou pra comer num lugar lá pelos becos de Marrakesh. Era um restaurante típico NADA turístico. A comida não era tão linda, principalmente as cabeças dos bichos mortos bem na entrada, mas mesmo assim eu provei e o que aconteceu? Até testículo/cérebro do bicho eu comi. (Não sei qual das duas partes era) E não foi ruim. Era bom. Tenho boas lembranças. Comeria de novo com um arrozinho e uma batata frita pra dar uma ajudada. Não teria essa experiência pra contar se não tivesse experimentado. Logo, experimente! Mas lembre de andar sempre com uns anti-alérgicos só por segurança. Você nunca sabe se vai ser alérgico ao quadragésimo sétimo tempero marroquinho.

4 - Planejar é essencial

Vocês não tem ideia do quão bom é chegar num aeroporto, estação de ônibus ou de trem e saber SE e ONDE é possível comprar tickets pra chegar ao seu hostel. Principalmente se você viaja naqueles voos promocionais e chega beirando a meia noite nos lugares onde todos os serviços de transporte estão parando de funcionar, com exceção dos táxis, claro, que estão só te esperando pra dar o bote. Ou mesmo que você chega de dia, e seu hostel fique ali pertinho, saber ao menos em que direção seguir assim que sai da estação é um avanço. Por isso eu usava o Google Street View sempre que necessário.

Outro motivo porque é importante planejar. As vezes, na época que você está indo pra cidade tá acontecendo um festival de música bem interessante, por exemplo. Ou ainda, o preço de ingresso na entrada de certos lugares tem desconto se você compra online com antecedência. Planejar muitas vezes é sinônimo de economizar dinheiro e tempo em filas também. Se liga aí.

5 - Saia da rota turística

A rota turística muitas vezes vale muito a pena, salvo alguns lugares que os turistas acabam indo mas nem é tão fantástico assim. Por isso é importante você saber diferenciar o que vale do que não vale a pena, e só é possível saber lendo sobre os lugares antes de ir. Algumas pessoas não gostam de ler sobre pra não quebrar a surpresa, e eu entendo, mas falando pra essas pessoas, tentem ver só os pontos chaves e algumas reviews dos lugares, porque daí você ganha mais tempo vendo outras coisas.



Por exemplo, Bruxelas à noite reserva umas surpresas que são projeções de obras artísticas - assim suponho - em ruas aleatórias do centro histórico. Eu descobri por acaso andando sozinho e sem rumo pelas ruas a noite, e é justamente esse o ponto. (Claro que se deve sair andando em todo beco. Vocês me entenderam) Outro exemplo, quando eu fiz minha viagem à Lisboa - que eu ainda nem fiz o post aqui no blog - me foi sugerido que visitasse uma cidade vizinha, Sintra, e foi lá que eu descobri um dos lugares mais fantásticos que eu já conheci. Ainda no post de Bruxelas, falei de umas caminhadas bem interessantes se afastando do centro que é possível fazer. Nem todo mundo tem essa disposição toda pra andar (nem eu) mas como foi o primeiro destino do mochilão, eu estava bem disposto.

Por fim, entenderam que as vezes caminhar sem destino ou muito bem destinado faz bem, né?

6 - Viajar também é um estilo de vida

Eu não sei o porquê mas eu sempre me imaginei entrando numa faculdade, depois arranjando emprego, e me estabelecendo financeiramente pra poder viajar pra onde eu quisesse, só que eu conheci algumas pessoas que me fizeram mudar minha forma de pensar. Por exemplo, conheci um francês em Lisboa que disse que antes de voltar pra cidade dele pra formar uma família, ele havia decidido ir pra o Brasil trabalhar numa região, que ele acha interessante, por 3 anos. Já um inglês que eu conheci no Marrocos largou o diploma universitário dele pra ir trabalhar numa agência de cruzeiros e passou um tempão viajando pelo mar e ganhando descontos e viajando pelo mundo. Btw, ele continua fazendo isso e aparentemente vivendo bem.

Quem nunca se sentiu tentado a largar tudo pra viajar? Bem, aparentemente, isso acontece e, as vezes, dá certo. Porque não conhecemos tantas pessoas que fazem isso? Bem, também me pergunto.

7 - Haja como um nativo

Que melhor forma de entender o povo e o lugar que não o vivendo? Não precisa comprar um casa, trabalhar, e construir uma vida também né, mas tem certos costumes que nós não temos que podemos experimentar. Em Budapeste, por exemplo, é muito comum ir pra casas de banho de águas termais pra se curar de diversas doenças, principalmente envolvendo dores musculares, assim como ressaca de uma espécie de "cachaça" típica chamada Palinka. Eu comprei Palinka e trouxe pro Brasil, e ainda não experimentei, logo não posso dizer nada, mas eu experimentei das casas de banho e achei sensacional, principalmente porque elas são todas clássicas com arquiteturas de palácios e afins.



Você também pode fazer o processo um pouco diferente e beber Palinka, ficar ressacado e no outro dia ir lá nas casas de banho pra ver se realmente funciona. Funcionando ou não, vem aqui e me conta ali nos comentários o que é que deu. Obrigado.

8 - Gentileza gera Gentileza

Todo bom mochileiro sabe que pedir informações é algo inevitável. Por mais bem informado que você esteja, sempre vai errar aqui ou ali, sempre vai querer saber que comida bonita é aquela que estão comendo, ou vai querer entender porque aquilo é assim... Ou vai estar perdido e desesperando achando que vai morrer sem saber o que fazer. Não importa, o lugar, não importa a língua, aborde as pessoas com educação: "Bom dia/Boa tarde/Boa noite, você poderia por favor me ajudar?" ... "Muito obrigado."



Inclusive, se você souber essas palavrinhas em negrito aí em cima na língua nativa da região, melhor ainda. Eu sempre tentava decorar essas palavras básicas, principalmente quando o idioma é muito atípico, como foi o caso na Croácia, Hungria, Marrocos... Inclusive alguns dos hostels deram um papelzinho com essas palavras básicas e suas traduções. O sinal de que você está se esforçando pelo menos para se comunicar com as pessoas na língua deles é sempre bem reconhecido, ou quase sempre. Obviamente vão haver pessoas apressadas/assustadas/mal educadas em todos os lugares, mas com certeza, com gentileza é mais provável que tudo dê mais certo.

9 - Você não precisa de muito pra viver

Não sei se você já viajou de Ryanair ou de alguma outra companhia de baixo custo mas os tamanhos das malas tendem a zero. Na verdade, no futuro, eles não vão te deixar levar mais nada. Se brincar nem a roupa do corpo só pra caber mais peso/gente no avião. Enfim, quando você tem que montar sua mala e fazer com que 10 kg de "tudo" sejam o suficiente pra que você sobreviva pelo tempo que você está viajando, você começa a diferençar o essencial do não tão essencial assim. Uma boa seleção de roupas, uns produtos de higiene pessoal, carregador pros seus eletrônicos porque também ninguém é de ferro, uns remédios pros piores casos, e mais umas coisinhas aqui e ali, e bem, só vai te faltar teto e comida.

Aposto que a grande maioria das pessoas prefere ter pouco e conhecer muito, do que ter muito e conhecer pouco. Eu sou um desses.

10 - Depois da primeira viagem você nunca mais vai querer parar

Viajar é um vício. Viagem é um remédio. Indicado para todo tipo de viajantes tendo como efeito colateral um alto nível de dependência, porém sem contra-indicações. Pode-se adotar a posologia que quiser. Inclusive já tomei altas doses desse remédio aí e estou juntando dinheiro pra comprar mais, só que tá meio caro. Comprar ali pela América do Sul pra saber se tá mais barato. Então, se você não quiser se viciar, não comece a conduzir esse medicamento, e aos dependentes como eu, bem, solução outra não há, senão viajar.    



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Confira todos os destinos na seção Já fui.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Salamaleico Marrakesh


Quando me chamaram pra ir a Marrakesh, o que foi que eu imediatamente pensei? Por ser na África, a primeira expectativa que eu tinha era referente ao calor. Realidade: Logo cedo e durante à noite, eu sempre tinha que me proteger do frio. (Primeiro preconceito quebrado) As línguas oficiais são o árabe e o francês. E de fato, quando falam em sua língua raiz não dá pra entender absolutamente nada que não um 'salamaleico' ou um 'shukran'.

Primeiro conselho: tenham uma caneta no bolso. Assim que chegamos na imigração tínhamos que preencher um formulário só que não havia com o que escrever. Basicamente você teria que conjurar uma caneta '-' Eu me enfiei num escritório lá e fui pedir uma emprestada, e felizmente o cara me emprestou. Prometi que levaria de volta. (Tudo através de um inglês + mímica = Imagem & Ação) Pegamos um táxi que nos deixaria o mais próximo possível do hostel, mas mesmo assim é difícil guiar-se pelas ruas. Durante a corrida deu pra ter uma vista geral da cidade, e ver que as cores terrais predominavam (vermelho, rosa, bege, amarelo). Ver aqueles cartazes em árabe só lembram aquelas notícias de rebeliões no oriente médio e bem, as lembranças não são muito "acolhedoras", digamos.

O taxista explicou em francês como chegar no hostel, mas mesmo assim não foi de grande ajuda. Um cara nos abordou e disse que sabia como chegar, e mandou a gente seguir ele. Já havíamos sido informados que isso não era uma boa ideia, mas não tínhamos muito o que fazer porque a gente não sabia pra onde ir. Chegando no hostel, ele meio que forçou a gente a pagar o que ele queria o que era uma valor absurdo equivalente a 50 euros por ele ter nos mostrados o caminho de duas/três ruas. Cedemos pagando parcialmente o valor. Segundo conselho: não deem atenção pras pessoas que querem ajudar, ou se realmente precisar de ajuda, negocie logo se vai ou quanto vai lhe custar.

Fomos muito bem recebidos no hostel. Um grande grupo de brasileiros da minha cidade e mais alguns amigos de amigos foram pra Marrakesh e já haviam chegado, então tudo ficou mais fácil. Recebemos um chá de menta com biscoitos e doces assim que chegamos. Eu não gosto de chá, mas eu sou adepto da teoria de que eu só posso dizer que não gosto se eu tiver provado, e aquele era um chá feito na África, e por mais que não seja aconselhável tomar água que não venha dentro de uma garrafinha lacrada, provei do chá. Não gostei, mas pelo menos provei.


O mais engraçado é que meu conhecimento prévio do país (e provavelmente o seu também) vinha da novela 'O Clone'. Logo o termo 'medina', referente ao centro da cidade que fica dentro das muralhas, assim como certos costumes e rituais ou ainda a conhecidíssima palavra 'inxalá' vinham de fácil acesso a memória. Inclusive, alguns reconheceram partes do museu de Marrakesh que foram usadas para gravar cenas da novela.

Para aqueles que vão a Marrakesh é bem comum que se faça um passeio ao deserto. Procuramos algumas companhias que ofereciam o serviço e basicamente podíamos optar entre um pacote com uma noite ou duas noites no deserto. Para o primeiro pacote, o deserto é algo mais próximo da civilização, já que a jornada para que cheguemos ao deserto dura mais ou menos umas 10 horas de carro, numa estrada sinuosíssima de curvas e ladeiras que fizeram metade dos meus amigos passarem mal. No segundo pacote, é possível que se vá mais longe, e atinja-se aquele deserto de dunas imensas no meio nada. Por medo mesmo, optei pelo primeiro pacote. Durante essas 10 horas de viagem fizemos duas paradas pra comer e para o banheiro, e algumas paradas em pontos estratégicos da estrada em que poderíamos tirar fotos com paisagens estonteantes.




Nós chegamos no vilarejo onde o resto da viagem se daria de camelo bem no por do sol, e seguimos nos animais que carregaram todos os nossos pertences (além de nós mesmos) até o acampamento. O céu já demonstrava o espetáculo que viria mais à noite e o por do sol era simplesmente inesquecível. Quanto aos camêlos, bem, os 15 primeiros minutos foram felizes, engraçados, interessantes, o resto foi composto de dores divididas nas partes baixas e companhia. Not good.



Ficamos divididos em tendas de 4 pessoas, com 4 colchões e mantas. Vale uma boa checagem pra buracos né, e uma conferida na cama antes de dormir, afinal era deserto e existe uma coisa chamada escorpiões, além de cobras e enfim, todos esses animais simpáticos que podem ser encontrados. Largamos nossas coisas dentro da tenda, e o frio, a medida que ia anoitecendo, deu seus sinais também. Pra minha felicidade, esqueci meu casaco dentro do carro que viemos. E o desespero já começou a bater desde então.




Foi colocado um tapete na nossa "vila de tendas" e nos trouxeram aquele chá de menta (que eu já não tinha gostado) pra gente tomar. O céu já estava estrelado no estilo "você só vê esse tipo de céu em fotos de lugares sensacionais". Alguns de nós teve sorte de ver estrelas cadentes, tipo eu. Ficamos lá um bom tempo admirando o céu e as estrelas até que bateu um sino lá longe avisando que era hora do jantar. E lá fomos nós andando no meio da escuridão pra outra vila de tendas que possuía a tenda principal com o refeitório. Primeiro nos serviram uma sopa péssima. Consegui tomar umas 4 colheradas mas tem quem tenha gostado. E agora atenção pra próxima refeição. Caros leitores, gostaria de dizer que nunca, mas nunca mais eu vou conseguir comer uma batata cozida como eu comi naquele dia. Tenham noção que era um cozido de frango com batatas, e eu comi tanta batata, mas tanta batata que quando acabou a batata da nossa mesa, que era muita, eu fui comer batata da mesa do lado. Eu ainda sonho com aquela batata, e pelo jeito vou ter que voltar ao Marrocos pra comer daquela batata antes de morrer.

Logo em seguida começaram a tocar lá umas músicas e a gringada e nós brasileiros fomos nos divertindo noite a dentro, até que fizeram uma fogueira do lado de fora. Não faço ideia de que horas a gente foi dormir nessa brincadeira. Ao redor de uma fogueira, com violão, aquele céu inesquecível, boa companhia. Ah, boas lembranças... Mas como eu havia esquecido meu casaco dormi no maior frio da minha vida, com certeza, embora estivesse com roupa e malha térmica por baixo coberto por uma manta absurda de grossa. Mas isso não me impediu de acordar 200 vezes durante a noite sentindo meu corpo todo gelado. Bem, sobrevivi.



Pena que no outro dia a gente já tinha que vir embora. Lá vamos nós em cima dos camelos de volta ao carro. Dessa vez no nascer do sol que cuidou de esquentar bem rapidinho nosso juízo. Foi sensacional. E não foi só 'O Clone' que se ambientou no Marrocos. Uma longa lista de filmes e séries usaram um vilarejo que passamos como base de gravações, dentre os mais conhecidos: O Gladiador, King Kong e Game of Thrones. Desses três, só conseguir lembrar da Khalesii adentrando nos portões da cidade. Tivemos uma boa parada nesse lugar, conhecemos e almoçamos por lá.






A volta foi infinitamente mais rápida que a ida. Só lembro que chegamos bem no fim da noite em Marrakesh e não tinha outra coisa a fazer senão tomar um belo de um banho. Até tinha uma grande tenda banheiro, mas não preciso explicar que as condições eram bem precárias e ninguém tomou banho né? Uma boa noite de sono depois, estávamos nós explorando toda a cidade de Marrakesh que tínhamos.

Partindo pra culinária, dois pratos principais são mais populares entre os turistas: o Tajine/Tagine - nome de uma peça de barro que leva o nome do prato que pode ser composto tanto por frango quanto por carne cozidos com vegetais bem temperados - e o Couscous - o dito original feito com trigo com uma coloração naturalmente branca, porém quando servido adquire uma cor mais amarelada pois é misturado com o caldo em que outras carnes são preparadas. A diferença para o nosso, obviamente, é que o nosso é feito de milho e não de trigo. Os temperos são basicamente, paprica, sweet paprica, curry, cuminho, "4 spices" ou "35 spices". O último dito como o segredo da culinária marroquina. Uma observação ainda é que a adesão aos fasts foods é mais lenta, pois não se vê a incidência de tantas franquias. (Ótimo sinal)



Batata frita é comida universal.
Olha as mulheres de burca que eu fotografei sem querer.


Há uma praça bem no centro da cidade, e à noite há uma diversidade enorme de barraquinhas de comida. A princípio eu fiquei com medo de comer nesses lugares muito abertos que tem uma tendência a ter menores padrões higiênicos, mas era isso ou andar 200 anos pra comer num McDonalds da vida e eu não ia fazer isso. Se a noite a festa é em comida, de dia essa praça vira uma selva, porque há dezenas de cobras e rodas e rodas de turistas querendo tirar fotos delas. Prestem bem atenção, SE vocês tirarem qualquer foto eles vão te perseguir até o inferno cobrando um valor que eles querem, então SE vocês realmente fizerem questão de uma foto dessa, ou de qualquer artista de rua ou loja, ou qualquer coisa que não seja estritamente pública, se preparem pra pagar por ela e negociar antes. Um menino tirou uma foto de um cara que tava sentado equilibrando algo na cabeça, ele correu tão rápido em nossa direção que o grupo todo se assustou. Isso foi só um exemplo de vários. (É por isso que a maioria das fotos que vocês vão encontrar aqui é de lugares fechados ou sem pessoas). Ah, vale lembrar também que é um grande desrespeito tentar tirar fotos de mulheres de burca.



Em Marrakesh é tradicional haver esses estabelecimentos acima que são umas farmácia que vendem de tudo, desde de remédios naturais pra todo tipo de doenças até temperos e maquiagens. Tudo é muito barato e se você souber pechinchar consegue ainda uns descontos muitos bons. Esse cara aí na foto além de mim foi um inglês que eu conheci no hostel. A viagem dele em Marrakesh foi prioritariamente culinária, tanto que ele tinha um livrinho com os melhores lugares (becos) pra se comer em Marrakesh. Ele me convenceu a ir comer num lugar (foto abaixo) que funcionava basicamente assim: você comprava por grama de carne (ou um quilo, ou meio quilo) de todas as partes do animal, e não de uma parte específica. Eu e ele decidimos dividir meio quilo de um porco ou carneiro ou sei lá. Veio o bicho cozido e cortado acompanhado de uma farofa estranha, que eu não comi, e pedimos uma Coca-cola pra ajudar a descer se precisasse. O interessante era comer sem saber o que estávamos comendo, e a parte interessante foi pra um pedaço que eu comi que eu ainda não sei se era um testículo ou um pedaço do cérebro do bicho. E não achem que foi nojento, pois a comida tava bem gostosa e a gente pagou barato também, e foi bem melhor do que fugir pros fast foods. 



Só que achar um lugar pra comer é um pouco complicado. Primeiro que o trânsito é um completo inferno, uma terra de ninguém, uma terra sem lei. As grandes avenidas não tiveram um planejamento de tráfego e minha surpresa foi não ter presenciado nenhum atropelamento. Quando trata-se da situação ruelas da medina - bem, vocês já devem imaginar que é um "labirinto" - a situação é ainda mais complicada. Mapas não são de grande serventia, mas claro que é divertido perder-se (preferencialmente de dia) e acabar encontrando diferentes setores do comércio, embora não seja nem um pouco agradável quando motos, bicicletas, carroças e afins, por pouco, mas por pouco mesmo, não te levam junto.












O comércio foi uma das melhores experiências pra me treinar para a vida. Aqueles homens são imensamente espertos, e vão tentar de todas as formas possíveis te ganharem no papo, ainda mais com produtos tão interessantes, atraente e aparentemente com bom preço.






Não tem como escapar do tópico religião também. Eu que esperava uma invasão maior, encontrei uma nação que se mantém fiel aos costumes. Era muito muito muito raro ver uma mulher sem burca, por exemplo, e sempre que dava a hora de rezar lá, estavam todos aos "berros" - inclusive logo cedo enquanto todos nós estávamos dormindo. Claro que os homens não perdiam a oportunidade de dar uma checada de cima à baixo nas turistas, e nem de conseguir um gole de cerveja (eles não podem beber). No mais, tudo que é regional vem prevalecendo, principalmente pela forte ligação que o país tem com o comércio que fornece basicamente toda a matéria prima para constituir o dia-a-dia marroquino.





Se tem uma coisa que me atrai é o surpreendente e não faltaram acontecimentos desse gênero no Marrocos, fossem paisagens deslumbrantes ou lugares inimagináveis desse país exótico. A experiência torna-se única pela mudança geral de background em todos os sentidos, afinal o novo é sempre mais enigmático ainda mais quando ele se revela tão bom. Seja ao descobri aquela vendinha com uma comida deliciosa, ao sair orgulhoso da loja ao pagar um preço que você tanto custou para barganhar, ao ver aquele céu estrelado que parecia existir apenas em filmes com estrelas cadentes de bônus para realizar desejo - na falta de um gênio que não quer sair da lâmpada - ou o simples fato de você ser agraciado com a oportunidade de conhecer e imergir-se nessa nova cultura. Marrocos promove-se como um destino que fornece esse pacote de experiências por um preço tão barato que te faz refletir se você está pagando o suficiente. Quer um conselho? Não pense muito. Apenas vá! E que Alá te proteja.

Confira outros destinos na seção Já fui.

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