sexta-feira, 25 de julho de 2014

10 coisas que eu aprendi viajando por 17 países

1 - Nunca subestime um destino

Aconteceu comigo exatamente duas vezes. A primeira foi quando eu planejei minha viagem pro Leste Europeu. BratislavaBudapeste e Vienna. Dessas três cidades, acredito que a maioria de vocês talvez desconheça Bratislava, a capital da Eslováquia. Bem, eu também desconhecia, logo assumi que por não ser muito famosa não teria muito o que fazer, e que eu poderia descansar mais lá pra aproveitar mais nas outras. Errado. Bratislava está praticamente no nível das outras duas cidades, e por não ser tão famosa não está lotada de turistas, logo parece mais natural, e é uma viagem muito mais tranquila.




A segunda vez foi no Mochilão de Verão na Europa. Por ser uma viagem enorme (Bruxelas, Amsterdã, Berlim, Praga, Warsaw, Roma, Cidade do Vaticano, Florença, Pisa e Milão... Até de escrever, eu já cansei) eu até meio que tive que escolher um destino pra ter uma viagem mais calma e descansar, porque mochileiro viajando significa andar muito, dormir pouco, sofrer bastante porém ser agraciado com uma excelente viagem. Dessa lista aí, Warsaw tava bem no meio e vinha logo antes da Itália que tinha tudo pra ser fantástica. Quando eu cheguei em Warsaw, eu tava com dor de garganta, minhas pernas já tinham desistido de mim e eu realmente precisava descansar, mas sabe o que aconteceu? Errei de novo. Warsaw é simplesmente fantástica, e com certeza um dos melhores destinos que eu visitei. Ou seja, fui numa farmácia, comprei um remédio à base de mímica e sobrevivi pra contar a história.




Quando esse dilema me veio à ocorrer uma terceira vez, já nem me equivoquei e deixei de subestimar destinos. Cada local tem sua cultura única, seu modo de viver, sua culinária e é sempre tão próprio que mesmo que você não goste, você aprende a respeitar e dar o devido valor. E além do mais, quanto menos expectativa você reserva pra um destino desses, mais você se surpreende e descobre (e em geral, fica feliz em saber) o quanto estava errado!

2 - Viajar é muito mais fácil do que você pensa

Hoje você em casa consegue resolver muita coisa de casa como comprar passagem, reservar hotel, fazer roteiros, conhecer lugares... Tem muita informação. Então pra quem é inseguro, tipo eu, dá pra ficar bem seguro com as pesquisas e com as experiências de outras pessoas, porque você pode prever problemas e se preparar pra eles ou evitá-los. Existe sim dificuldade pra alguns lugares, mas nunca é tão complicado quanto se pensa. Quanto mais aleatório o lugar, mais divertido pode ser.


(Oslo)


3 - Não tenha medo de experimentar

Sabe aquilo que teus pais falam pra tentar te convencer a comer os legumes do prato? "Se você não provar, não vai saber se gosta ou não!" E por mais que a gente não queira admitir, muitas vezes julgamos pela aparência, não só comida, mas muitas outras coisas. Eu prometi pra mim mesmo que enquanto eu estivesse viajando eu ia provar de tudo que desse de cada lugar. Eu acho que cumpri minha promessa, com raras exceções que o dinheiro limitou hahaha Porém eu gostei de muitas comidas, como Waterzooi em Bruxelas, umas Batatas com Frango magníficas no deserto de Marrakesh, e Travesseiros em Sintra - Portugal. Aí você diz, aposto que foram opções fáceis e a comida parecia ser deliciosa, e eu te digo, verdade.



Porém, ainda em Marrakesh, eu passei pela minha prova de fogo. Um inglês que eu conheci por lá, me chamou pra comer num lugar lá pelos becos de Marrakesh. Era um restaurante típico NADA turístico. A comida não era tão linda, principalmente as cabeças dos bichos mortos bem na entrada, mas mesmo assim eu provei e o que aconteceu? Até testículo/cérebro do bicho eu comi. (Não sei qual das duas partes era) E não foi ruim. Era bom. Tenho boas lembranças. Comeria de novo com um arrozinho e uma batata frita pra dar uma ajudada. Não teria essa experiência pra contar se não tivesse experimentado. Logo, experimente! Mas lembre de andar sempre com uns anti-alérgicos só por segurança. Você nunca sabe se vai ser alérgico ao quadragésimo sétimo tempero marroquinho.

4 - Planejar é essencial

Vocês não tem ideia do quão bom é chegar num aeroporto, estação de ônibus ou de trem e saber SE e ONDE é possível comprar tickets pra chegar ao seu hostel. Principalmente se você viaja naqueles voos promocionais e chega beirando a meia noite nos lugares onde todos os serviços de transporte estão parando de funcionar, com exceção dos táxis, claro, que estão só te esperando pra dar o bote. Ou mesmo que você chega de dia, e seu hostel fique ali pertinho, saber ao menos em que direção seguir assim que sai da estação é um avanço. Por isso eu usava o Google Street View sempre que necessário.

Outro motivo porque é importante planejar. As vezes, na época que você está indo pra cidade tá acontecendo um festival de música bem interessante, por exemplo. Ou ainda, o preço de ingresso na entrada de certos lugares tem desconto se você compra online com antecedência. Planejar muitas vezes é sinônimo de economizar dinheiro e tempo em filas também. Se liga aí.

5 - Saia da rota turística

A rota turística muitas vezes vale muito a pena, salvo alguns lugares que os turistas acabam indo mas nem é tão fantástico assim. Por isso é importante você saber diferenciar o que vale do que não vale a pena, e só é possível saber lendo sobre os lugares antes de ir. Algumas pessoas não gostam de ler sobre pra não quebrar a surpresa, e eu entendo, mas falando pra essas pessoas, tentem ver só os pontos chaves e algumas reviews dos lugares, porque daí você ganha mais tempo vendo outras coisas.



Por exemplo, Bruxelas à noite reserva umas surpresas que são projeções de obras artísticas - assim suponho - em ruas aleatórias do centro histórico. Eu descobri por acaso andando sozinho e sem rumo pelas ruas a noite, e é justamente esse o ponto. (Claro que se deve sair andando em todo beco. Vocês me entenderam) Outro exemplo, quando eu fiz minha viagem à Lisboa - que eu ainda nem fiz o post aqui no blog - me foi sugerido que visitasse uma cidade vizinha, Sintra, e foi lá que eu descobri um dos lugares mais fantásticos que eu já conheci. Ainda no post de Bruxelas, falei de umas caminhadas bem interessantes se afastando do centro que é possível fazer. Nem todo mundo tem essa disposição toda pra andar (nem eu) mas como foi o primeiro destino do mochilão, eu estava bem disposto.

Por fim, entenderam que as vezes caminhar sem destino ou muito bem destinado faz bem, né?

6 - Viajar também é um estilo de vida

Eu não sei o porquê mas eu sempre me imaginei entrando numa faculdade, depois arranjando emprego, e me estabelecendo financeiramente pra poder viajar pra onde eu quisesse, só que eu conheci algumas pessoas que me fizeram mudar minha forma de pensar. Por exemplo, conheci um francês em Lisboa que disse que antes de voltar pra cidade dele pra formar uma família, ele havia decidido ir pra o Brasil trabalhar numa região, que ele acha interessante, por 3 anos. Já um inglês que eu conheci no Marrocos largou o diploma universitário dele pra ir trabalhar numa agência de cruzeiros e passou um tempão viajando pelo mar e ganhando descontos e viajando pelo mundo. Btw, ele continua fazendo isso e aparentemente vivendo bem.

Quem nunca se sentiu tentado a largar tudo pra viajar? Bem, aparentemente, isso acontece e, as vezes, dá certo. Porque não conhecemos tantas pessoas que fazem isso? Bem, também me pergunto.

7 - Haja como um nativo

Que melhor forma de entender o povo e o lugar que não o vivendo? Não precisa comprar um casa, trabalhar, e construir uma vida também né, mas tem certos costumes que nós não temos que podemos experimentar. Em Budapeste, por exemplo, é muito comum ir pra casas de banho de águas termais pra se curar de diversas doenças, principalmente envolvendo dores musculares, assim como ressaca de uma espécie de "cachaça" típica chamada Palinka. Eu comprei Palinka e trouxe pro Brasil, e ainda não experimentei, logo não posso dizer nada, mas eu experimentei das casas de banho e achei sensacional, principalmente porque elas são todas clássicas com arquiteturas de palácios e afins.



Você também pode fazer o processo um pouco diferente e beber Palinka, ficar ressacado e no outro dia ir lá nas casas de banho pra ver se realmente funciona. Funcionando ou não, vem aqui e me conta ali nos comentários o que é que deu. Obrigado.

8 - Gentileza gera Gentileza

Todo bom mochileiro sabe que pedir informações é algo inevitável. Por mais bem informado que você esteja, sempre vai errar aqui ou ali, sempre vai querer saber que comida bonita é aquela que estão comendo, ou vai querer entender porque aquilo é assim... Ou vai estar perdido e desesperando achando que vai morrer sem saber o que fazer. Não importa, o lugar, não importa a língua, aborde as pessoas com educação: "Bom dia/Boa tarde/Boa noite, você poderia por favor me ajudar?" ... "Muito obrigado."



Inclusive, se você souber essas palavrinhas em negrito aí em cima na língua nativa da região, melhor ainda. Eu sempre tentava decorar essas palavras básicas, principalmente quando o idioma é muito atípico, como foi o caso na Croácia, Hungria, Marrocos... Inclusive alguns dos hostels deram um papelzinho com essas palavras básicas e suas traduções. O sinal de que você está se esforçando pelo menos para se comunicar com as pessoas na língua deles é sempre bem reconhecido, ou quase sempre. Obviamente vão haver pessoas apressadas/assustadas/mal educadas em todos os lugares, mas com certeza, com gentileza é mais provável que tudo dê mais certo.

9 - Você não precisa de muito pra viver

Não sei se você já viajou de Ryanair ou de alguma outra companhia de baixo custo mas os tamanhos das malas tendem a zero. Na verdade, no futuro, eles não vão te deixar levar mais nada. Se brincar nem a roupa do corpo só pra caber mais peso/gente no avião. Enfim, quando você tem que montar sua mala e fazer com que 10 kg de "tudo" sejam o suficiente pra que você sobreviva pelo tempo que você está viajando, você começa a diferençar o essencial do não tão essencial assim. Uma boa seleção de roupas, uns produtos de higiene pessoal, carregador pros seus eletrônicos porque também ninguém é de ferro, uns remédios pros piores casos, e mais umas coisinhas aqui e ali, e bem, só vai te faltar teto e comida.

Aposto que a grande maioria das pessoas prefere ter pouco e conhecer muito, do que ter muito e conhecer pouco. Eu sou um desses.

10 - Depois da primeira viagem você nunca mais vai querer parar

Viajar é um vício. Viagem é um remédio. Indicado para todo tipo de viajantes tendo como efeito colateral um alto nível de dependência, porém sem contra-indicações. Pode-se adotar a posologia que quiser. Inclusive já tomei altas doses desse remédio aí e estou juntando dinheiro pra comprar mais, só que tá meio caro. Comprar ali pela América do Sul pra saber se tá mais barato. Então, se você não quiser se viciar, não comece a conduzir esse medicamento, e aos dependentes como eu, bem, solução outra não há, senão viajar.    



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Confira todos os destinos na seção Já fui.

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