segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Bloqueei o presidente Búlgaro

Hoje faz um mês que cheguei ao UK. Não é bem algo que se comemora, porque agora você pensa "ah, só faltam 11 meses." Esse um mês parece uma vida de tanta coisa que já fiz, parece que moro aqui a bastante tempo pela rotina com a qual já me acostumei. Tem sido bem divertido postar aqui no blog - que acaba virando um diário de viagem - pelos comentários e elogios que venho recebendo. Que bom que estão gostando, apesar das poucas - que parecem muitas - postagens. Vem muito mais coisa aí pela frente. Viagem à Londres, por exemplo. Enfim, obrigado pelo feedback positivo, e estou aberto a sugestões de postagens, caso alguém queira fazê-las. 

1 mês no UK. Animação, só que não.

Depois do primeiro encontro com a Coventry Portuguese Speakers Society, acabei vendo uma publicação sobre um horário de vôlei, possivelmente uma partida com membros. Me interessei e resolvi ir. Domingo às 19:00, horário inconveniente se eu tivesse algo melhor pra fazer ou se tivesse aula na segunda pela manhã, mas como eu não tinha nem um, nem outro, fora que adoro vôlei, topei fácil. Fomos eu e uma amiga, nos encontrar com a organizadora do 'evento'. Ao chegarmos no horário marcado, só havíamos nós 3. Me desanimei, mas depois acabei pensando que me divertiria jogando controle, foi quando ela simplesmente partiu em direção a quadra. 

Chegando ao destino, descobri que não era bem aquilo que eu estava pensando. Estávamos indo para um treino na sociedade de volleyball de Coventry. Veja bem, eu gosto de vôlei, mas não o suficiente pra me iludir achando que tenho capacidade pra jogar profissionalmente, pelo menos não por agora. Já estávamos ali, não íamos voltar atrás. O frio na barriga pareceu criar vida e se estabelecer. A quadra estava fechada, e por ser domingo, não dava acesso por fora. Não sei como o primeiro fez pra entrar na quadra, vai saber. Batemos na porta, até que alguém surgiu e abriu por dentro. O fim do treino de cheerleaders estava acontecendo.



A visão que tive dos jogadores de vôlei não foi das mais agradáveis, no sentido de que todos pareciam jogar bem. A maioria eram búlgaros, e altos. Haviam 2 meninas, além das duas que vieram comigo. Meninas no grupo, pelo menos significa que o treino não seria tão pesado. Assim eu esperava. Fiquei num canto, esperando ver o que ia acontecer. Armaram a rede, e daí então, começou o aquecimento. Todo mundo estaca se alongando, entrei na onda. Braço pro lado, braço nas costas. Flexiona perna, estica perna. Depois um corrida de leve, em torno da quadra, convidados pelo primeiro búlgaro. 

Depois partimos pro aquecimento com a bola. Fiz aquecimento com a Dani, que veio comigo. Não sabia o que era mais humilhante, ver os outros se aquecendo perfeitamente, ou tentar me aquecer sem conseguir manter a bola muito tempo sem cair no chão. Sobrevivemos. Um grupo de pessoas começou a se reunir, o treino começava, de uma forma bem inesperada. Começamos jogando tênis. Sim, tênis. Como funcionava, dividiram o grupo em dois times, metade de cada lado da quadra. Uma fila de pessoas se formou. O objetivo do jogo, nas palavras do búlgaro, era 'screw with the other time' (lascar com o outro time). Como? Basicamente, você só podia dar um toque na bola, de manchete, no caso, e devolver a bola pro outro lado, dificultando a vida deles.

Bem fácil na teoria, mas demorou umas 2/3 bolas pra eu pegar o jeito, depois não errei mais nenhuma. Quando de fato peguei o jeito, fui tentar 'screw' com o outro time, jogando a bola bem fraquinha próxima a rede. Errei. Mas não desisti. Duas bolas depois, eu acertei. Ponto. \o/ Para minha surpresa, um búlgaro começou a esculhambar o que tinha perdido meu ponto, creio que fizesse parte do time principal de vôlei e não pudesse perder ponto pra um novato como eu. Num momento aleatório, só ouvi o cara falando algo e todo mundo se abaixando. As mulheres fazendo abdominal e os homens marinheiro. Ouvi um número. Dez. Pensei que nunca ia conseguir fazer 10 marinheiros ali. Injeção de adrenalina funciona, nunca eu fiz 10 marinheiros tão rápidos e eficientes. 

Passamos dessa parte e partimos pro treino de verdade: levantadas e cortes. Primeiro do lado esquerdo da quadra. Você jogava a bola pro levantador, que obviamente, levantava a bola pra você cortar. A primeira bola que eu joguei, voltou pra mim, a qual mandei pro levantador, que devolveu pra mim - pausa mental de 'Porque ele está devolvendo as bolas?' até que saquei nesse milésimo de segundo que eu tinha que jogar a bola bem alto pra ele poder levantar - retornei a bola alta e por fim, recebi o levantamento para o corte. Fail. 

Foram muitos fails até que eu acertasse uma bola dentro da quadra de modo efetivo. Acho que acertei umas 3 no máximo. Rede altíssima, eu não tenho treinamento nisso, então fiquei satisfeito. O lado foi invertido pro direito. O processo se repetiu. Pausa mais uma vez. Eu não estava sendo o pior do treino, felizmente, sempre tem um gordinho que é pior que você, a não ser que você seja o gordinho, mas como eu sou o magrinho, eu não era o gordinho, errrr... Enfim, eu não era o pior, e com isso já estava bastante satisfeito.

Agora era a vez dos saques. Meus saques não são ruins, só que costumo sacar por baixo. Só que se eu sacasse por baixo, EU ia ficar por baixo também. Então fui sacar batendo na bola - sem ser saque viagem, claro. Errei a primeira, e incrivelmente acertei todas as outras, e olhas que foram muitas. Talvez tenha errado mais uma no meio. Saque accomplished. Detalhe que quando você queria sacar, você fala alto - no limite de gritar - SERVE. Depois disso, vinha a parte mais aterrorizadora, o jogo de fato.

O presidente búlgaro saiu pegando as pessoas em sequência e dizendo '1' e '2' alternadamente. Fiquei no time 2, que deu mais sorte do que o time 1 em questão de elenco. Haviam 8 de cada lado, e como todos sabem, no vôlei são só 6 de cada lado. Pra ficar rotacionando os jogadores, se você errasse o seu saque, você estava fora. Felizmente meu saque era confiável. Saí algumas vezes, mas não entendi bem o motivo/lógica da saída, mas enfim. Comecei do lado de fora, até que chegou minha vez de entrar. Você começava pela posição de saque - sem sacar - e ia girando de posição normalmente. Eu praticamente nem pegava na bola, tinha muito craque no meu time, uma ou outra eu peguei. 

O desastre foi quando cheguei na posição de levantador. Detesto levantar, é muita pressão. Todas os segundos passes vem obrigatoriamente pra você. Levamos uns 6 pontos seguidos. Não ria de mim ainda, porque o mundo dá voltas. Saímos dessa situação quando um búlgaro se jogou na minha frente e levantou um bola direito. A organizadora da sociedade xingou muito o cara que fez isso, deixando-o até vermelho. Mas eu estava feliz com a situação, queria sair da posição infernal. Troquei com alguém que estava do lado de fora e bati um papinho com um cara o suficiente pra saber que ele era da bulgária e pra dizer que eu era do Brasil e escutar o tradicional: "Oh, Brasil? I love Brasil."

Entrei novamente, cheguei até a posição de levantador novamente. Quem estava de levantador do outro lado era somente o presidente búlgaro. Ele é tipo muito alto. Tanto que ele só ficava com os braços estirados e passava as bolas tranquilamente. Uma das bolas que voltava do lado adversário, veio baixa, e com isso o cara só ia dar um toquinho pra passar a bola pro nosso lado. O que ele não esperava era meu pulo bloqueando aquela bola. Pra surpresa de todos e principalmente minha, eu havia bloqueado o presidente búlgaro. Resultado: chacota nele.

O treino terminou um pouco depois. Passou num piscar de olhos. Decidi que voltaria. Com certeza voltaria.

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