quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Polite da balada pra fora" e "5 luvas"

"Polite" da balada pra fora

Terça não acabou com o trauma na comida apimentada nigeriana, o pessoal queria sair pra badalar em plena terça, e como estavam todos os bolsos cheios de dinheiro e sem coisa pra estudar, claro que todo mundo #partiu. Fomos para o Careys, uma boate. As primeiras impressões começaram nas filas. As inglesas estavam de saia, shorts curtos e vestidos curtos num frio muito grande, temperaturas que não ultrapassavam 0º. Palmas para elas por manterem a indecência mesmo no frio.


A entrada custou 4 pounds, mas tivemos que pagar um pound pra guardar os casacos. Pois é, eu nunca achei que esse dia chegaria, pagar pra guardar um casaco, mas enfim. Soquei tudo, cachecol, gorro e luvas nos bolsos e entreguei, rezando pra que na volta, nada tivesse sumido. Ah, vale dizer que o rapaz ficou me perguntando minha iniciais e eu sem entender o que diabos ele queria. Até que umas meninas que estavam atrás de mim na fila me explicaram, falando mais calmamente, dizendo ele quer suas iniciais. Daí eu entendi e falei pra ele. Elas soltaram aquele 'Ounnnnnnnn' e eu fiquei pokerface. USHASUH

Subimos para o primeiro andar, onde fica a boate em si, e vi dois ambientes, um era menor, com um bar e uma música tocada por som mesmo, e o outro bem maior, com a pista de dança, DJ e também bar. Pra galera que bebe, fizeram a festa, os preços estavam bem em conta. Estava bem lotado o local, e antes de explicar o motivo do nome desse post, devo dizer algo antes. Todos os dias, se você esbarra em alguém na rua, ou fica no caminho dela, enfim, você fala 'sorry' e recebe outro 'sorry' ou 'cheers' de volta, mesmo que a culpa não tenha sido da pessoa. Então, na balada, por estar muito cheio e apertado você esbarra nas pessoas sempre. A diferença é que parece que eles esbarravam em você pra te derrubar e não estavam nem aí. Eu não sei se é algum tipo de compensação pelo dia inteiro de 'sorry's' que eles tem, mas enfim, educação, só da balada pra fora.


Música desconhecidas. Era só o que tocava. Eu não tenho uma bagagem de músicas, tudo bem, eu conheço as mais tocadas e algumas atuais e outras que tocam bastante. Mas era bastante engraçado que a grande maioria das músicas tocadas eram totalmente desconhecidas por mim e pelos brasileiros que estavam comigo. Haviam verdadeiras horas que o DJ cortava a música pros ingleses entrarem em coro, e todos eles cantavam, e eu ficava pokerface, porque eu não sabia que porra de música era aquela. Mas enfim, tocou muito hip hop, muito. Só bem no finalzinho que veio tocar umas músicas bem conhecidas. No outro dia ainda tentei caçar algumas músicas por trechos que eu lembrava mas não achei nenhuma, senão eu botava uma aqui pra vocês terem ideia e ver se conheciam também.

Outro aspecto chato. Não sei se era efeito da bebida ou se os jovens ingleses são um pouco agressivos, mas de repente, rolou um fight do nada. Por 'do nada', entenda, em segundos um cara estava sendo socado na cara até ser derrubado no chão, então 4 caras começaram a chutar ele. É amigos só restou fazer uma coisa...


Bem assim. Mas também é aquela coisa, você fica na sua, quietinho e geralmente não acontece nada com você. Pois é, tinham me falado que as inglesas eram carentes, e que elas se jogavam nos caras porque os ingleses não são muito de dar em cima. Eu pensava 'que absurdo'. Mas é verdade. USHAUSH Não estou dizendo que todas são assim, mas enfim, a galera que dá em cima, meio que consegue fácil 'ganhar' as inglesas. Bem, isso é uma opinião, por enquanto, circunstancial. Esperemos com o tempo e vamos ver se isso é confirmado.

Já pelo fim da festa - acabou 2 horas da manhã. Cedão em comparação com as baladas normais. Minha teoria é que pelo fato de ser maioria estudantes, eles de alguma forma controlam a hora por ser uma terça e a galera ter aula no outro dia - estava morrendo de sede. Fui até o bar pra ver se comprava um água. O bar estava fechado. Não estavam vendendo mais nada. Já tinha um cara lá tentando comprar mais bebida. Então, chamei a moça que estava passando de um lado pra outro e ela de cara me falou: "O bar já fechou." Eu disse que só queria uma água. Ela pegou um copo, e encheu de água da torneira e me entregou. Talvez, boa parte de vocês que acabaram de ler isso disseram 'eca'. Não gente, aqui todo mundo bebe água da torneira. Em casa eu bebo água da torneira. A água encanada já é própria para o consumo. Demora 2 dias de sede/nojo pra você se acostumar. Mas depois você fica feliz com a economia.

Mais tarde eu viria a descobrir que ela tinha me dado um copo usado pra me dar água. Agora sim você pode dizer 'eca'. Mas enfim, o outro cara que estava lá ficou puto, porque ela 'me atendeu'. Fazer o que se eu tenho charme. Ele soltou aquele 'What the fuck?' e virou pro meu lado. Depois de ter presenciado uma briga - eita, esqueci de dizer que o segurança chegou rapidão naquela briga lá e 'salvou' o muleque e expulsou o resto. Ufa por ele - eu fiquei meio assim né? Eu falei, só pedi água cara, só água. Ele chamou a mulher de novo, e ela respondeu: "É água?". Ele: "Não, mas..." Ela não esperou ele terminar a frase pra repetir: "O bar já fechou."

No finalzinho começaram a tocar umas músicas nigerianas e essa galera de animou e começou a dançar muito estranhamente, mas enfim. Assim terminou minha noite. Catamos os casacos. Sim, estava tudo certinho lá. Um pound bem gasto. Na verdade não é opcional, a não ser que você queira ficar com um casaco lá dentro e faz calor. Nos agasalhamos e saímos. Adivinha o que o tempo imprevisível de Coventry preparou? Aquele neve especial de madrugada pra tremer seus ossinhos. :)

5 luvas

Terça de manhã é o único dia da semana que temos aula cedo. Mais precisamente às 9 horas da manhã. Pela fase de adaptação do fuso, acordamos atrasados. Ao sair de casa, encontrei um par de luvas (2) vermelhas bem no meio da rua, e pensei que a pessoa ficaria muito revoltada ao procurar o par quando fosse usar. Continuamos andando, e ao passar por um ponte, pela qual passo diariamente, encontrei mais uma luva caída (3), mas dessa vez ela estava sozinha, bege, pálida. Teria sido melhor ser perdido com seu fiel par. Em Birmingham na estação de trem, outra luva (4) havia sido esquecida no banco do trem. Ela talvez estivesse numa viagem infinita, uma busca perdida, uma jornada infundada. Talvez aguardasse apenas o momento de ser encontrada. E por fim, mas não menos depressiva, na ruas repletas de neve, encontrava-se outra luva - quinta e última - que parecia já ter se entregue a hipotermia. Já havia aceitado seu fatídico destino.

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